Comorbidades e TDAH

Mais de um problema ao mesmo tempo

Comorbidades e TDAH – Já se conhece bastante sobre a ocorrência de mais de um problema simultâneo ao TDAH. Além da distração, hiperatividade, impulsividade e outros dos sintomas mais característicos, como esquecimentos, desorganização, pouca percepção da passagem do tempo, entre outros. Especialmente em adultos, a comorbidade (ocorrência simultânea) de mais de um transtorno acompanhando o TDAH é mais regra que exceção.

TDAH comorbidades

É essencial avaliar comorbidades para diagnóstico do TDAH

Por que as Comorbidades são tão comuns?

De acordo com teorias recentes de alguns dos maiores especialistas da área, certas alterações na estrutura e desenvolvimento cerebral ligadas ao TDAH seriam fatores de risco para problemas posteriores. Ou seja, aquilo que inicialmente leva aos sintomas do TDAH – distração, agitação, hiperatividade, impulsividade – também representam fragilidades, que facilitariam a ocorrência de outros transtornos.

Quais são as comorbidades mais comuns?

Ansiedade, depressão, stress crônico – Síndrome de Burnout, baixa estima, perfeccionismo, problemas de aprendizagem estão entre as mais comuns.

Problemas independentes ou inter-relacionados?

Com toda a certeza, quando dois transtornos são identificados, os pacientes irão questionar “quem causou o quê”. Esta é sempre uma pergunta interessante e necessária. Porém, a resposta pode ser bastante complexa – e às vezes, infelizmente impossível de responder.

Profissionalmente, eu costumo trabalhar orientando um raciocínio voltado para o futuro e para a resolução de problemas. Pois entendo que qualquer transtorno traz consequências – este é o começo da resposta para “quem causou o quê”. Estes primeiros problemas e dificuldades, por sua vez, interferem com o desenvolvimento e adaptação às novas exigências.

A potencialização das dificuldades

Primeiramente, existem fatores que prejudicam o desenvolvimento, a adaptação às circunstância extremamente mutáveis dos primeiros anos de vida. Dessa forma, tais prejuízos incipientes podem facilitar o aparecimento de outros problemas que, na ausência da dificuldade inicial, provavelmente não teriam ocorrido. Contudo, a partir de certo ponto – e é aqui onde devemos focar os esforços analíticos – as fragilidades entram em um círculo vicioso de retroalimentação, de tal maneira que um déficit torna o outro ainda mais intenso.

Um exemplo bastante simples é o de uma criança, que apresente em comorbidade um transtorno de atenção e/ou hiperatividade, em conjunto com uma dificuldade de aprendizagem – por exemplo, envolvendo leitura. Qualquer criança com problemas com leitura terá maior dificuldade em prestar atenção, por tratar-se de uma habilidade acima de suas capacidades atuais. E, se ainda assim houver um transtorno de atenção, este será mais um fator que prejudicará a superação da dificuldade de leitura.

Diagnósticos mais aprofundados

Em casos como este, é indispensável proceder a um diagnóstico diferencial de excelência. O processo é usualmente mais demorado, exigindo a realização de instrumentos específicos de psicodiagnóstico. Por exemplo, podem ser solicitados testes psicológicos. Sua função é auxiliar na identificação da eventual presença e intensidade de outros transtornos envolvidos. Tal detalhamento, em casos complexos, é necessário possibilitar a criação de um plano de tratamento eficaz. Que seja integrativo e multi-dimensional, contemplando todas as demandas encontradas.

A não identificação de comorbidades está entre os principais fatores que levam a tratamentos com resultados insatisfatórios – ou até mesmo sem resultados.

Background

É POSSÍVEL SUPERAR

Distração, esquecimentos, agitação, desorganização, baixo desempenho…
não precisam ser para sempre. Encontre a ajuda que você necessita.

A busca da sinergia dos resultados e a definição do plano de tratamento

Não há regras pré-definidas com relação aos planos de tratamento para comorbidades. Em primeiro lugar, é preciso avaliar como estas comorbidades impactam sobre a vida da pessoa, tanto no curto quanto no longo prazo. Pois a melhor combinação de tratamentos é aquela que, potencialmente, pode levar a uma sinergia de resultados positivos.

Em segundo lugar, combinações de tratamentos podem produzir resultados agregados, onde os ganhos individuais se combinam e se potencializam. Com toda certeza, este é o caminho para um círculo virtuoso, no qual um ganho abre espaço para outros ganhos. Para uma espiral positiva de sucessos terapêuticos.

Ao discutir o plano de tratamento, o paciente deve estar preparado para uma fase intermediária, na qual suas queixas principais podem não ser abordadas diretamente. De fato, em determinadas situações, pode ser preciso cuidar primeiro dos fatores que potencializam as queixas e não das queixas em si.

Não significa, em hipótese alguma, que você não está sendo bem atendido. Se este for seu caso, converse claramente com o profissional que o atende. A parceria de ambos e a comunicação clara é fundamental.

Cacilda Amorim – Psicoterapeuta & Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
Idealizadora dos Programas Minha SuperAÇÃO