Diagnóstico Diferencial de TDAH e Comorbidades

O que é - Como é feito


Diagnóstico diferencial do TDAH exige cuidados especiais. Por isto, desconfie de consultas rápidas, de “quinze minutos” ou profissionais que mal te escutam e logo vão passando receitas. O desafio central ao diagnóstico do TDAH decorre do tipo de sintomas que o caracteriza. São as queixas inespecíficas, sintomas que podem ser encontrados em vários tipos diferentes de transtorno.

 

Diagnóstico Diferencial TDAH Comorbidades

Pode ser TDAH? E o que mais?

As queixas de distração, agitação e impulsividade são, por definição, sintomas inespecíficos. Isto quer dizer: são sintomas encontrados em diversos outros transtornos. Inespecíficos pois podem ser encontrados em todos quase todos os problemas psíquicos que prejudicam a capacidade de concentrar, o foco e o autocontrole.

Assim, é obrigatório levantar diversas hipóteses para chegar ao diagnóstico diferencial – quais as possíveis causas para os sintomas que o paciente relata? Pode ser TDAH? Ou alguma outra coisa, com sintomas similares? E isto demanda investigação aprofundada. Leva tempo.

Comorbidades são bem comuns

Além da sobreposição de sintomas, outro desafio do TDAH é a alta probabilidade de comorbidades. Comorbidade é o termo técnico usado quando mais de um problema existe ao mesmo tempo. Para transtornos que co-existem.

Desta forma, para o diagnóstico diferencial bem feito, é essencial questionar se as queixas do paciente podem ser resultado de uma combinação complexa de transtornos. Sobretudo porque o correto diagnóstico de comorbidades é absolutamente indispensável para a definição do plano de tratamento. Do contrário, demandas legítimas podem simplesmente ser deixadas de lado – o que irá impedir que a pessoa melhore tanto quanto poderia.

Como é feito o Diagnóstico Diferencial do TDAH – Déficit de Atenção

Em primeiro lugar, o especialista realiza uma extensa anamnese. Trata-se de uma investigação clínica, com perguntas bem detalhadas, enquanto observa atentamente o paciente. Sua apresentação física, maneira de falar, uso das palavras, estruturação do pensamento, estabilidade da atenção durante as explicações, capacidade de compreensão do que é perguntado; enfim, tanto o conteúdo quanto a forma da expressão.

Informações necessárias para a Anamnese

Informações essenciais buscadas nesta consulta são: características de funcionamento cognitivo, como capacidade de atenção, memória e velocidade mental. Nível intelectual global, pois qualquer atraso ou diminuição da inteligência acompanha redução da atenção e memória. Igualmente são pesquisadas a vida na infância, escola e atividade profissional (em adultos). Pois o funcionamento emocional, comportamental e inter-pessoal trazem dados importantíssimos, tanto para julgar os sintomas do TDAH quanto para diferenciar eventuais sobreposição (mimetização) de sintomas e comorbidades.

Assim, o primeiro objetivo da avaliação clínica é levantar hipóteses sobre as possíveis origens dos problemas. O especialista deve levar em conta que um mesmo sintoma (por exemplo distração, esquecimento ou agitação) podem ser causados por múltiplos fatores. Eventualmente, até mesmo em combinação.

Reiterando mais uma vez: há vários outros transtornos que podem mimetizar (imitar) os sintomas do TDAH. Ou então acontecerem junto com o TDAH – as comorbidades.

Investigações aprofundadas levam tempo

Como se trata de uma investigação extensa, uma boa consulta leva tempo – pelo menos uma hora de duração. Muitos especialistas solicitam mais de uma consulta, para garantir a qualidade da avaliação. Diagnóstico diferencial bem feito leva tempo. Ponto final.

De fato, cada profissional pode ter sua maneira específica de trabalhar. Alguns podem fazer uma consulta principal, para a análise mais ampla e eventualmente solicitar consultas complementares caso necessário. Outros já combinam um bloco de consultas, por exemplo (no caso de crianças) uma consulta com os pais, outra com a criança e finalmente um retorno para explicação aos pais do que foi encontrado. Só não se pode confiar em avaliações superficiais.

Tal aprofundamento é indispensável para evitar diagnósticos errôneos e precipitados. Cada vez mais ouvimos falar de diagnósticos feitos em consultas médicas que, conforme relatado, não duraram mais de 15 minutos.

Psicodiagnóstico, neuropsicológico e exames médicos complementares

Posteriormente a esta anamnese e avaliação preliminar das características do caso, o especialista pode solicitar outros testes e exames, desde exames médicos – clínicos e/ou neurológicos – ou outros exames psicodiagnósticos, como avaliação cognitiva, neuropsicológica, comportamental e emocional.

Pedidos de exames complementares, mais detalhados são apenas necessários quando há suspeita de outros transtornos, comorbidades ou fortes componentes comportamentais, emocionais ou cognitivos (intelectuais) envolvidos.

A saber, não há nenhum exame ou teste único e específico para TDAH, como por exemplo exames de sangue para doenças físicas. Mesmo exames médicos (como eletroencefalograma ou ressonância magnética) ou neuropsicológicos são apenas complementares ao diagnóstico.

Os exames clínicos – psicológicos, médicos ou até mesmo de outras áreas da saúde – são uma colaboração inegavelmente preciosa. Contudo, tenha sempre em mente que qualquer exame específico é subordinado ao julgamento clínico do especialista. Com toda a certeza, eles tem sua função no aprofundamento do caso, ajudando a decidir qual o melhor tratamento ou na exclusão de outras hipóteses diagnósticas.

Qual profissional faz o diagnóstico diferencial de TDAH e comorbidades?

Um diagnóstico completo só pode ser realizado por um especialista, pois apenas com sua experiência poderá julgar se e quais sintomas podem ser associados ao TDAH ou a outros problemas.

Se houver suspeita de TDAH, procure um profissional especializado para uma avaliação completa. Somente um especialista poderá excluir outros problemas que podem mimetizar os sintomas de TDAH, como falta de atenção, hiperatividade física ou mental, impulsividade, falta de auto-controle, problemas com memória, desorganização, adiamentos crônicos, etc.

Somente médicos (e indústrias farmacêuticas) dizem que os únicos que podem diagnosticar

Muito se questiona sobre qual profissional pode fazer o diagnóstico diferencial. Alguns médicos, inclusive profissionais respeitáveis, causam confusão entre os pacientes, na tentativa de chamar para si esta exclusividade, o que na verdade é apenas uma tentativa de demarcar um território profissional.

Esta mesma informação é igualmente passada em muitos sites bem conhecidos e muito visitado. Deixo aqui uma informação complementar, que você deve julgar segundo seu próprio discernimento.

Diversos sites que afirmam serem médicos os únicos profissionais com autoridade para fazer o diagnóstico, de fato são propriedade das indústrias farmacêuticas que produzem os remédios para TDAH. Os mesmos remédios prescritos por médicos que defendem seu privilégio para diagnosticar. Inclusive, são estes médicos que escrevem boa parte dos artigos ou fazem a curadoria dos sites das indústrias farmacêuticas.

Não há nenhuma lógica, razão técnica ou legal, que justifique limitar o diagnóstico a médicos, exceto favorecer tratamentos baseados em alternativas medicamentosas.

O problema do auto-diagnóstico do TDAH

Auto-diagnóstico é quando você tem um problema e vai pesquisar no Google do que se trata. E quando encontra um site que fala sobre este SEUS problemas, se identifica com eles (sim, claro. Até aqui tudo bem). Em seguida, conclui que este é seu problema. É justamente neste ponto que você deveria ser bem cuidadoso. Você pode sim ter uma forte certeza – e, talvez, esteja mesmo certo. Contudo, não deveria avançar demais nas conclusões.

O auto-diagnóstico tem se tornado cada vez mais comum, pois o uso da Internet para buscar informações sobre questões em qualquer área da saúde é uma tendência irreversível.

O fenômeno “Doctor Google”

É um fato histórico a ser comemorado. Seus benefícios superaram, e muito, eventuais excessos. São incontáveis pessoas que conseguiram melhorar suas vidas, ter orientações do que fazer em situações críticas. Alcançar esclarecimento sobre assuntos que dantes nunca tinham ouvido falar.

Apesar de tantas coisas positivas, ao procurar um especialista, assuma uma postura de abertura e cooperação. Especialmente de ESCUTA. São, igualmente, incontáveis casos de pacientes que tem me procurado, ao longo de quinze anos dedicados ao diagnóstico e tratamento do TDAH, que chegaram para a primeira consulta de avaliação e, logo na entrada, disseram o que queriam: “Doutora, vim aqui para confirmar o meu diagnóstico de Déficit de Atenção”.

Qual seria a melhor maneira de você colaborar? Enfim, de fazer a sua parte no diagnóstico? Resposta: auxiliar a investigação ampla e aprofundada o caso, sem forçá-lo na direção de uma ou outra hipótese, seja TDAH, seja outra qualquer. Pois, infelizmente, poderá atrasar muito seu processo. Só para ilustrar, quando você faz a listinha e chega com ela completa, sem deixar tempo para o outro perguntar e investigar. Ainda mais se estiver numa “consultinha rápida”…

Sobretudo, evite recontar sua estória pessoal a partir de uma lista de sintomas, ou a partir de um teste feito pela internet. Se você procurou um profissional que de fato entende do que faz, deixe que ele conduza a consulta, fazendo as perguntas clínicas na melhor ordem de acordo com as necessidades do seu caso. Pois ele (ou ela) estará seguindo um raciocínio clínico, pesquisando o TDAH, transtornos com sintomas semelhantes e eventuais comorbidades.

Depois do Diagnóstico Diferencial – O que vem em seguida?

Com os tratamentos adequados, o TDAH pode ser tratado e bem gerenciado. Isto tem potencial para trazer uma grande mudança, alívio e mais qualidade de vida, tanto na escola, trabalho e vida familiar. Todo esforço direcionado à procura de um bom diagnóstico valerá a pena. É o primeiro passo neste caminho.

Cacilda Amorim – Psicoterapeuta & Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
Idealizadora dos Programas Minha SuperAÇÃO
Background

É POSSÍVEL SUPERAR

Distração, esquecimentos, agitação, desorganização, baixo desempenho…
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