O que é TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade

Tudo o que você precisa saber sobre o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH, é um problema crônico que afeta as funções cerebrais. Tem início cedo na infância, podendo acompanhar a pessoa durante toda a vida. Pode se apresentar de múltiplas formas, em diferentes graus de intensidade. Segundo estimativas internacionais, entre 3% a 7% das crianças e adolescentes em idade escolar são afetadas. Destas, até 50% irão apresentar o transtorno na vida adulta. Por tais características, é importante ser bem diagnosticado e tratado o quando antes.

O que é TDAH

O Cérebro no TDAH

O TDAH – Déficit de Atenção é considerado um transtorno de “base orgânica”. Em sua origem, estão alterações no funcionamento normalmente esperado de uma parte muito especial do organismo: o cérebro. E por serem estes problemas tão prejudiciais, recebem a classificação de “Transtorno”.

As alterações cerebrais características do TDAH – Déficit de Atenção correspondem a uma “lentificação” de áreas específicas, predominantemente o Lobo Pré-Frontal. Como resultado desta lentificação aparecem os sintomas mais conhecidos do transtorno. A saber, as dificuldades em prestar atenção, com memória, controle do impulso e do excesso de agitação motora. Daí originam-se os sintomas de desatenção / déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade.

A sigla TDAH pode ser enganosa. Como significa Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, as pessoas leigas acabam concluindo que, na ausência da hiperatividade, não seria um caso de transtorno. Ou então achando que é apenas um “problema de criança hiperativa”, sem saber que pode igualmente acontecer com adultos.

O TDAH é um transtorno que pode se manifestar em combinações diferentes de sintomas, a depender da pessoa. As classificações mais reconhecidas definem três tipos principais, a partir de combinações dos sintomas básicos de distração – déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade: Tipo Desatento / Distraído, Tipo Hiperativo-Impulsivo e Tipo Misto / Combinado.

Lentificação do funcionamento cerebral

O cérebro não funciona da mesma maneira todo o tempo. Pelo contrário, ele adapta seu nível de ativação às atividades e demandas de cada momento. Por exemplo, estudo e leitura exigem maiores níveis de ativação – que o cérebro “trabalhe mais intensamente”.

Como resultado, a maior ativação é necessária para conseguir preciso prestar atenção ou manter o foco. Igualmente, o cérebro precisa estar mais ativado quando precisamos trabalhar em ambientes barulhentos e cheios de distrações. Ou então em atividades chatas, cansativas e pouco estimulantes. E quando está mais ativado, em estado de atenção concentrada, os neurônios emitem pulsos elétricos mais vezes por segundo. Desta forma, ocorre o bloqueio das distrações e o “estado de concentração” para, por exemplo, a elaboração das idéias ao estudar ou resolução de um problema.

Contudo, nos casos típicos do transtorno, a característica psicofisiológica mais comum é a hipofunção / hipoativação de áreas cerebrais. Em especial, o córtex pré-frontal é afetado. Como resultado, parcelas significativas dos neurônios nestas áreas tem sua atividade lentificada – “trabalham mais devagar” que o esperado.

Além disto, a lentificação não é aleatória. Pelo contrário, ela é mais intensa justamente durante as atividades que demandam maior esforço mental. Ou seja, o cérebro fica mais lento quando precisaria trabalhar com maior intensidade. Daí aparece o déficit de atenção

Diversas pesquisas já mostraram comparações em imagens funcionais do cérebro, entre pessoas comuns (normotípicas) e pessoas com TDAH. É importante ressaltar que a pessoa com TDAH sofre especialmente quando tenta se concentrar ou fazer um esforço mental.

Esta ativação elétrica dos neurônios, é diretamente relacionada à ação de substâncias químicas naturais do cérebro. São os neurotransmissores. Por este motivo se fala tanto em medicações que atuam no metabolismo do neurotransmissor dopamina. Igualmente, marcadores de hereditariedade são relacionados ao funcionamento dos neurotransmissores.

Atraso no amadurecimento

Crianças e adolescentes com TDAH são costumeiramente consideradas mais imaturos que as outros da mesma idade. Tal observação parecer ter sido confirmada numa pesquisa, que encontrou evidências que o cérebro amadurece em taxas diferentes no caso das crianças com o transtorno.

Segundo estes pesquisadores, as áreas que controlam os movimentos – o córtex motor amadureceria mais cedo. Tal resultado poderia explicar porque as crianças hiperativas são capazes de andar, correr, escalar, sair do berço ou até mesmo falar muito mais cedo que outras crianças. Por outro lado, áreas do córtex frontal, que permitem prestar atenção, regular o comportamento (auto-controle) e a própria motricidade amadureceriam com cerca de três anos de atraso. Como consequência, as crianças podem mostrar déficit de atenção e a agitação excessiva, que é a hiperatividade.

Importante ressaltar que, com o passar dos anos, o mesmo grau de amadurecimento cerebral foi alcançado. Tal fato parece estar relacionado com a redução da hiperatividade, que costumeiramente é observada com o passar dos anos.

Falha nos sistemas motivacionais e de controle da atenção

Há dois processos neuropsicológicos básicos envolvidos na regulação da atenção. A atenção é um processo fluido, que ao mesmo tempo sofre a influência de muitos fatores externos e internos.

O primeiro caminho de regulação da atenção é chamado BOTTOM-UP, por serem estas regiões evolucionariamente primitivas do cérebro. Por estarem estruturalmente localizadas em sua parte “de baixo”, são chamadas “bottom”. São regiões que controlam basicamente os centros do medo e do prazer, intimamente ligados aos mecanismos básicos e instintivos de manutenção da vida.

Como são regiões muito poderosas para a sobrevivência, por meio de suas conexões neuronais, elas alcançam as áreas mais superiores e evolucionariamente evoluídas, interferindo e direcionando o foco da atenção consciente.

O segundo caminho de regulação da atenção é chamado TOP-DOWN. Refere-se à capacidade das áreas mais evoluídas racionalmente controlarem o foco voluntário da atenção. Contudo, normalmente há um “conflito de interesses” entre o que é sinalizado como prioridade, originando o déficit de atenção.

Quando há TDAH, os processos de controle TOP-DOWN estão prejudicados. Justamente por isto, passa haver falhas na inibição seletiva das distrações, no fluxo dos pensamentos e da capacidade em focar naquilo que a pessoa sabe ser importante. Prevalece o controle pelo que é mais interessante, atraente, estimulante. Ou seja, está consolidado o déficit de atenção.

Por esta razão, pessoas com o déficit de atenção tem dificuldade em focar nas “coisas chatas”. Por outro lado, para elas é fácil entrar em hiperfoco quando “tem interesse”. Igualmente, sob pressão dos prazos se concentra mais facilmente. A pressão dos prazos, o medo do fracasso ativa os centros primitivos, ajudando a manter a atenção mesmo nas atividades que num momento anterior era simplesmente deixada de lado.

Portanto, a marca neurobiológica do TDAH – Déficit de Atenção (com ou sem hiperatividade) é, essencialmente, uma disfunção nas áreas de controle inibitório da atenção e dos processos motivacionais – as Funções Executivas.

Em resumo, no TDAH, as áreas que deveriam controlar os processos de atenção TOP-DOWN estão hipofuncionantes. Simultaneamente, as áreas que controlam os processos BOTTOM-UP permanecem intocadas. Como dito anteriormente, esta é a origem neuropsicológica do déficit atencional.

As implicações são profundas e esclarecedoras para as maiores contradições do TDAH: a acusação que “só se tem atenção naquilo que interessa”.

Quem sofre com TDA – Déficit de Atenção presta sim atenção, desde que ela seja capturada por alguma fonte de estimulação poderosa. Ao mesmo tempo, terá bastante dificuldade em exercer controle voluntário sobre o foco, especialmente diante de estímulos mais fortes e poderosos. E, naturalmente, os mais poderosos terão sempre vantagem…

Então, quais estímulos são mais poderosos? Aqueles mais prazerosos, que atingem as áreas mais primitivas do cérebro, ligadas a experiências de prazer ou medo. Por isto é tão difícil se manter em tarefas chatas… Para ninguém é fácil, mas no TDAH pode ser demasiado difícil… quase impossível!

Por outro lado, quando a situação é prazerosa, estimulante ou, por alguma razão, os mecanismos BOTTOM-UP são acionados. Estes são os motivos que levam as pessoas com TDAH / Déficit de atenção oscilarem tanto entre DISTRAÇÃO e HIPERFOCO.

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Quais os melhores tratamentos

A abordagem mais tradicionalista do tratamento do déficit de atenção defendia que a primeira linha de ação deveria ser medicamentosa. Quem pensa assim, acredita que usar remédios é o caminho principal; tudo o mais é visto como acessório. Embora esta visão simplista e antiquada já tenha sido em grande parte superada, ainda hoje permanece em alguns profissionais (infelizmente, em sua maioria médicos psiquiatras). Há quem continue insistindo que a primeira linha de tratamento para TDAH é usar medicação psicoestimulante.

A compreensão que o TDAH somente pode ser tratado com sucesso por meio de uma abordagem multidisciplinar foi ficando cada vez mais clara com o passar do tempo. Foi assim, passo a passo, que os especialistas foram entendendo que a disfunção orgânica, a ser tratada quimicamente é apenas uma parte do problema.

Atualmente, os melhores especialistas já têm claro que tratamentos exclusivamente medicamentosos são insuficientes chegar aos resultados esperados. Seja em crianças ou em adultos, os melhores tratamentos são integrativos, multi-dimensionais e capazes de resultados sustentados no longo prazo.

A boa notícia no tratamento do TDAH, déficit de atenção e hiperatividade são as múltiplas abordagens de tratamento não medicamentoso, que podem ser usadas em diversas combinações. Com isto, é possível atender qualquer necessidade específica, incluindo psicoterapia, coaching, meditação, nutrição, ginástica cerebral e biofeedback, entre outras, trazendo resultados positivos para o déficit de atenção, hiperatividade, impulsividade e sintomas associados.

O TDAH tem impacto sobre o cérebro e também sobre os comportamentos. Não se trata apenas de déficit de atenção, a ser tratado com medicação. Para melhorar a desorganização, adiamentos crônicos, falta de planejamento, oscilações emocionais, dificuldades em relacionamentos e baixa auto-estima, pode ser necessário tratamento psicoterapêutico.

Mudanças no estilo de vida

Sim, um dos fatores de risco para o TDAH é a genética. Mas é também é, até certo ponto, influenciado pelo ambiente. Não é possível mudar a genética. Contudo, é sim possível mudar os hábitos alimentares, a dieta, o condicionamento físico e mental, a qualidade do sono. Todas estas coisas podem ter um efeito bem real e positivo sobre os sintomas. Quer seja déficit de atenção mas também hiperatividade e impulsividade.

Justamente por isso educar-se sobre o transtorno, sobre o que está ao seu alcance mudar é essencial. Isto se chama Psico-Educação. Independente do tamanho dos desafios que você esteja enfrentando, ter clareza sobre o que está nas suas mãos, ao seu alcance te dá mais força e confiança para aumentar sua zona de controle. Saber do que se trata, o que se pode fazer. Como fazer. Ajudando o enfrentamento, facilitando a mudança e os ajustes necessários.

Tudo isto pode começar inclusive antes de um diagnóstico formal. Por exemplo, melhorar a alimentação, incluir suplementação nutricional para potencialização cerebral, praticar atividade física mental, cuidar do sono, repouso. Dar atenção às pessoas queridas (sim, isto é possível!) e encarar o trabalho de maneira mais positiva. Para alcançar a etapa essencial da superação das dificuldades, que é construir uma nova forma de viver. Com mais saúde e qualidade.

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Quais são as causas?

Apesar de todos os avanços da ciência, ainda não se sabem as causas exatas dos transtornos mentais em geral. Isto vale tanto para o TDAH – Déficit de Atenção quanto para ansiedade, depressão, bipolaridade ou esquizofrenia, por exemplo.

A visão mais atual entende o transtorno como um fenômeno neuro-comportamental. Isto significa que, por um lado, há componentes orgânicos de origem genética, que aumentam o risco para o transtorno. Por outro, a probabilidade de manifestação dos sintomas e sua intensidade, maior ou menor, dependem de fatores situacionais, externos e fortemente ligados ao estilo de vida.

Fatores genéticos / Hereditariedade

Tudo o que somos tem sua origem no código genético individual, que é a combinação do que recebemos de nossos pais. São essas informações genéticas as responsáveis por grande parte da variabilidade de nossas características físicas, como estatura física, cor dos olhos e cabelo, tendência para engordar ou ser mais esbelto. Até mesmo traços comportamentais e risco para doenças mentais tem origem genética.

No TDAH, o componente genético é um fator de risco muito importante. Há várias linhas de pesquisa mostrando que o déficit de atenção e/ou hiperatividade têm forte carga hereditária. Embora ainda não se saiba exatamente quais os mecanismos genéticos envolvidos, estudos indicam uma probabilidade acima de 50% de transmissão de pais para filhos.

De maneira similar, foram encontradas influências genéticas comuns entre déficit de atenção e dislexia; hiperatividade / impulsividade e traços desafiadores, bem como entre TDAH e autismo.

Fatores ambientais

Logo após a concepção, o feto passa a sofrer influências externas, iniciando sua história de vida. Vários fatores gestacionais (são chamados congênitos) representam riscos para o transtorno. A saber, uso de álcool, drogas em geral, fumo, exposição a substâncias tóxicas pela mãe alcançam o feto pela corrente sanguínea, com potencial para causar danos ao desenvolvimento cerebral.

Doenças maternas durante a gestação, como hipertensão e pré-eclampsia ou eventos no momento do parto, como enforcamento pelo cordão umbilical, sofrimento fetal, uso de fórceps e anóxia – falta de oxigenação, que leva a criança a nascer “roxa” são também fatores de risco. Por exemplo, crianças que nascem com baixo peso (menos de 1.500g) tem risco duas a três vezes maior de desenvolver déficit de atenção / hiperatividade. Quer dizer, o risco é maior, contudo há também muitas crianças que nasceram com baixo peso, especialmente as prematuras, que não desenvolvem o transtorno.

Tem cura? Existe prevenção?

Como o TDAH é um transtorno que tem sua base em alterações crônicas de funcionamento do cérebro, não se pode falar em cura nem em prevenção total, pura e simples.

Contudo, é totalmente possível minimizar os fatores de risco, especialmente aqueles de impacto congênito e ambiental. Gestantes devem evitar qualquer situação que represente risco para o feto, em termos de contato com substâncias tóxicas. Também seguir estritamente os procedimentos de cuidados pré-natais, para minimizar o impacto de qualquer intercorrência ou problema de saúde.

Igualmente, os sintomas são significativamente reduzidos com mudanças simples em hábitos e estilos de vida. Melhorar a alimentação, praticar exercícios físicos e atividades que potencializam o funcionamento cerebral, como cálculos mentais ou meditação, são muito importantes. Ainda mais essencial é reduzir as distrações, eliminando excessos em tecnologias, redes sociais e todos os tipos de “ladrões de foco”.

Neste sentido, o cérebro pode ser transformado, tendo seu funcionamento otimizado. Minimizando o déficit de atenção, ajudando a focar. Por esta razão é tão importante buscar tratamentos que sejam integrativos e sustentados, buscando sempre mudanças de longo prazo.

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TDAH e Inteligência

Pessoas com TDAH tem grandes conflitos sobre inteligência. Por um lado, sentem que são muito criativas, até em grau maior que outros em geral. Pessoas com potencial elevado e capacidade para grandes realizações. Por outro lado, tem dúvidas sobre sua real capacidade, uma “farsa”. Eventualmente, podem até se achar “burras”, pelos erros tolos por distração e por não conseguirem fazer tudo aquilo que, racionalmente, sabem que conseguiriam alcançar.

O déficit de atenção, em si, não tem nada a ver com inteligência formal. Não é sinônimo de dificuldade de aprendizagem nem de pouca capacidade, em nenhuma área. Também não indica que a pessoa tenha QI superior ou inferior.

Duas coisas, entretanto, são completamente verdadeiras. Em primeiro lugar, pessoas com TDAH tem realmente maior dificuldade com execução, independente de suas capacidades. Neste caso, a comparação entre o que sentem poder realizar e o que conseguem de fato é muito discrepante, levando a duvidar da própria inteligência ou inclusive do caráter, quando se acham “preguiçosas”.

Em segundo lugar, é também fato que as pessoas com TDAH tem alguns processos mentais típicos, como “pensar fora da caixa”. Por isto, conseguem ser mais criativas e alcançar destaque em determinados contextos, no qual suas forças valem mais que as fragilidades.

Por tudo isto, é extremamente importante o correto diagnóstico e tratamento. Pois o impacto sobre o desempenho e não alcançar os objetivos pode ser a consequência indesejada, que pode frustrar e até destruir a vida de pessoas tão talentosas.

Cérebro, aprendizagem e neuroplasticidade

Uma das dúvidas mais perturbadoras é: se eu tenho déficit de atenção / hiperatividade, isto será passado para meus filhos? A melhor resposta é: talvez. A probabilidade da manifestação do déficit de atenção – se irá aparecer ou não, tem relação direta com as experiências pessoais e o estilo de vida. Idem para a intensidade dos sintomas, que poderão ser mais ou menos intensos.

Em paralelo à sua “base biológica” – a genética e risco de transmissão hereditária, o TDAH tem fortes componentes ligados a comportamentos e estilo de vida. Tudo em nós – desde o cérebro até a personalidade, hábitos e preferências, são resultado de uma intrincada interação entre nossa carga genética e todas as experiências pelas quais passamos, desde antes mesmo do nosso nascimento.

O cérebro, em si, somente se desenvolve em função destas interações, de toda a estimulação que recebe e das aprendizagens que delas decorrem. Podemos dizer então, sem sobra de dúvida, que o cérebro se reconstrói literalmente, incontáveis vezes, ao longo da vida. A isto se chama neuroplasticidade.

Ou seja, mesmo sabendo-se que o Déficit de Atenção é um transtorno de base orgânica, com determinantes genéticos já identificados, não significa uma relação direta de causalidade simples e linear. O ambiente e as circunstâncias de vida tem um papel importantíssimo.

Por exemplo, pessoas que tenham passado a infância numa família muito desorganizada, sem rotinas e hábitos regulares. Ou então que não tenham sido adequadamente supervisionadas quando crianças e adolescentes ao fazer as tarefas escolares. Outras podem ter o péssimo hábito fazer muitas coisas ao mesmo tempo (multi-tarefas). Todas estas pessoas provavelmente terão problemas em conseguir realizar suas atividades até o final, mantendo-se concentradas e focadas em seus objetivos.

Caso alguém com esta história de vida, ao mesmo tempo, sofra também com as fragilidades biológicas do déficit de atenção, suas dificuldades serão ainda maiores. Por outro lado, se um portador consegue criar rotinas, estará diminuindo a intensidade dos sintomas. Idem para desenvolver hábitos e mudar seus comportamentos. Eventualmente, os problemas poderão até mesmo desaparecer. Pois, não é que TDAH tenha “cura”, mas quando algo deixa de incomodar, é como se não existisse.

Cacilda Amorim – Psicoterapeuta e Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
CRP 06/61710

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