Por Cacilda Amorim - Última atualização - 15/02/2022 - Publicado 16/03/2009

Por Cacilda Amorim

Atualizado 15/02/2022 - Publicado 16/03/2009

O TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – é um problema crônico que afeta as funções executivas cerebrais. Tem início cedo na infância, podendo acompanhar a pessoa durante toda a vida. Pode se apresentar de múltiplas formas, em diferentes graus de intensidade. Segundo estimativas internacionais, entre 3% a 7% das crianças e adolescentes em idade escolar são afetadas. Destas, até 50% irão apresentar o transtorno na vida adulta. Por tais características, é importante ser bem diagnosticado e tratado o quando antes.
O que é TDAH - Deficit de Atenção

O que é TDAH

O TDAH – Déficit de Atenção é considerado um transtorno de “base orgânica”. Em sua origem, estão alterações no funcionamento normalmente esperado de uma parte muito especial do organismo: o cérebro. E por serem estes problemas tão prejudiciais, recebem a classificação de “Transtorno”.

As alterações cerebrais características incluem uma “lentificação” no funcionamento neuronal de áreas específicas, predominantemente o Lobo Pré-Frontal. Como resultado destes neurônios pulsando mais lentamente, a pessoa passa a ter dificuldade em prestar atenção, a segurar o foco e a concentração. Também a conseguir controlar melhor os impulsos, segurar a agitação. Estas são as origens dos principais sintomas do TDAH - a distração (desatenção), hiperatividade e impulsividade. 

Atenção! Esta sigla pode ser enganosa. Como TDAH significa "Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade", as pessoas leigas acabam concluindo que, na ausência da hiperatividade, não seria um caso de transtorno. Ou então achando ser apenas um "problema de criança hiperativa", sem imaginar que pode igualmente adultos. 

Pode te interessar:

Tratamentos naturais para TDAH – Déficit de Atenção e Hiperatividade

Faça todos os Testes Online - TDAH e comorbidades

Ver o artigo

O Transtorno do Déficit de Atenção pode se manifestar em combinações diferentes de sintomas, a depender da pessoa. Conforme as combinações dos sintomas básicos de déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, são classificados em Tipos de TDAH: Tipo Desatento / Distraído, Tipo Hiperativo-Impulsivo e TDAH Combinado / Misto

Causas do TDAH

Apesar de todos os avanços da ciência, ainda não se sabe com exatidão as causas exatas dos transtornos mentais em geral. Isto vale tanto todos as doenças mentais tratadas pela psicologia e psiquiatria, como ansiedade, depressão, bipolaridade ou esquizofrenia, por exemplo. 

Independente de não sabermos as causas exatas, há consenso científico entre estudiosos da área que se trata de um problema muito importante para a saúde mental, comportamental e qualidade de vida, que pode afetar entre 5% a 7% da população infantil, permanecendo até a idade adulta entre 50% a 60% dos casos. 

A visão mais atual entende o transtorno como um fenômeno neuro-comportamental. Isto significa que, por um lado, há componentes orgânicos de origem genética, que aumentam o risco de aparecerem sintomas. Por outro, a probabilidade de sua manifestação (desses sintomas aparecerem de fato), bem como de sua intensidade (leves ou intensos) dependem de fatores situacionais, externos e fortemente ligados ao estilo de vida. 

Fatores genéticos / Hereditariedade

Tudo o que somos tem sua origem no código genético individual, que é a combinação do que recebemos de nossos pais. Esses códigos carregam as informações responsáveis por grande parte da variabilidade de nossas características físicas, como estatura física, cor dos olhos e cabelo, tendência para engordar ou ser mais esbelto. Até mesmo traços comportamentais e risco para doenças mentais têm origem genética.

O componente genético é um fator de risco muito importante. Há várias linhas de pesquisa mostrando que o déficit de atenção e/ou hiperatividade têm forte carga hereditária. Embora ainda não se saiba exatamente quais os mecanismos genéticos envolvidos, estudos indicam uma probabilidade acima de 50% de transmissão de pais para filhos. 

De maneira similar, foram encontradas influências genéticas comuns entre déficit de atenção e dislexia; hiperatividade / impulsividade e traços desafiadores, bem como entre o transtorno opositivo/desafiador TOD e TDAH, bem como no autismo.

Fatores ambientais

Logo após a concepção, o feto passa a sofrer influências externas, iniciando sua história de vida. Vários fatores gestacionais (são chamados congênitos) representam riscos para o transtorno. A saber, uso de álcool, drogas em geral, fumo, exposição a substâncias tóxicas pela mãe alcançam o feto pela corrente sanguínea, com potencial para causar danos ao desenvolvimento cerebral.

Doenças maternas durante a gestação, como hipertensão e pré-eclampsia ou eventos no momento do parto, como enforcamento pelo cordão umbilical, sofrimento fetal, uso de fórceps e anóxia – falta de oxigenação, que leva a criança a nascer “roxa” são também fatores de risco. Por exemplo, crianças que nascem com baixo peso (menos de 1.500g) tem risco duas a três vezes maior de desenvolver déficit de atenção / hiperatividade. 

Tratamento do TDAH

A abordagem mais tradicionalista do tratamento do déficit de atenção defendia que a primeira linha de ação deveria ser medicamentosa. Quem pensa assim, acredita que usar remédios é o caminho principal; tudo o mais é visto como acessório. Embora esta visão simplista e antiquada já tenha sido em grande parte superada, ainda hoje permanece em alguns profissionais (infelizmente, em sua maioria médicos psiquiatras), que continuam insistindo em usar psicoestimulantes tarja-preta como primeira linha de tratamento. 

Para um tratamento bem-sucedido é preciso uma abordagem integrativa e multi-dimensional. Esse conceito vem se tornando mais claro com o passar dos anos, conforme mais e mais pessoas tratadas exclusivamente com medicação comprovaram ser um caminho insuficiente, quando seguido isoladamente. Foi assim, passo a passo, que os especialistas estão cada vez mais compreendendo que o tratamento químico pode ser uma part importante da solução, mas não é a única. 

Atualmente, os melhores especialistas já têm claro que tratamentos exclusivamente medicamentosos poucas vezes alcançam todos os resultados esperados. Seja em crianças ou em adultos, os melhores tratamentos são integrativos, multi-dimensionais e capazes de resultados sustentados no longo prazo. 

A boa notícia no tratamento do déficit de atenção e hiperatividade é que as múltiplas abordagens de tratamento não medicamentoso podem ser usadas em combinação. Com isto, é possível atender as necessidades específicas de cada pessoa, de acordo com sua faixa etária, graus de intensidades dos sintomas, presença ou não de comorbidades e inclusive preferências pessoais quanto ao tratamento. 

Dentre os tratamentos naturais, não medicamentosos disponíveis estão a psicoterapia na linha TCC - Terapia Comportamental Cognitiva, Coaching Comportamental (para adultos) Meditação Mindfulness, suplementação nutricional, ginástica cerebral e biofeedback, entre outras. Claro que nem todas as pessoas seguirão todas as linhas de tratamento ao mesmo tempo, justamente por isso é tão importante o suporte profissional que possa orientar com segurança e eficácia.  

Os prejuízos afetam o cérebro e também as emoções e comportamentos. Não se trata apenas de déficit de atenção, a ser tratado com medicação. Para melhorar a desorganização, adiamentos crônicos, falta de planejamento, oscilações emocionais, dificuldades em relacionamentos e baixa auto-estima, pode ser necessário tratamento psicoterapêutico. 

Mudanças no estilo de vida

Sim, a genética é um dos fatores de risco. Mas os sintomas também são fortemente influenciados pelo ambiente, pelo entorno, até mesmo pela alimentação. Isso é importante pois, embora não seja possível mudar nossos gens, muita coisa está ao nosso alcance. É sim possível e desejável mudar os hábitos alimentares, a dieta, o condicionamento físico e mental, a qualidade do sono. Todas estas coisas podem ter um efeito bem real e positivo sobre os sintomas. Quer seja déficit de atenção mas também hiperatividade e impulsividade. 

Justamente por isso educar-se sobre o transtorno, sobre o que está ao seu alcance mudar é essencial. Isto se chama Psico-Educação. Independente do tamanho dos desafios que você esteja enfrentando, ter clareza sobre o que está nas suas mãos, ao seu alcance te dá mais força e confiança para aumentar sua zona de controle. Saber do que se trata, o que se pode fazer. Como fazer. Ajudando o enfrentamento, facilitando a mudança e os ajustes necessários.

A Psico-educação e o auto-conhecimento podem começar antes mesmo de um diagnóstico formal. Por exemplo, melhorar a alimentação, incluir suplementação nutricional para potencialização cerebral, praticar atividade física e mental, cuidar do sono, dar-se o direito do repouso adequado. Dar atenção às pessoas queridas (sim, isto é possível!) e encarar o trabalho de maneira mais positiva. Para alcançar a etapa essencial na superação das dificuldades, que é construir uma nova forma de viver. Com mais saúde e qualidade. 

SOBRE A AUTORA

Psicoterapeuta e Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção

CRP 06/61710

Conheça o IPDA - Instituto Paulista de Déficit de Atenção


REFERÊNCIA EM TDAH DESDE 2004

Centro especializada em TDAH – Déficit de Atenção. Transtornos isolados ou em comorbidades: Ansiedade, depressão, stress crônico, agressividade e impulsividade. Problemas profissionais, estudo / aprendizagem e relacionamentos. Referência tratamentos integrativos não-medicamentosos – Terapia Comportamental-Cognitiva TCC, Coaching Comportamental, Mentorias, Grupos online e cursos para adultos, mães e pais.

Success message!
Warning message!
Error message!