Impulsividade pode ter consequências destrutivas

A pessoa que não consegue controlar a impulsividade, que reage sem pensar ter muitas dificuldades de relacionamento, sendo vista como egoísta e auto-centrada.

O TDAH é essencialmente um transtorno que impacta no auto-controle, na capacidade de colocar freio aos impulsos, regulando as atitudes, emoções baseado em decisões conscientes. A impulsividade é a forma mais visível de déficit em Funções Executivas, onde falta justamente o freio que ajude “parar, pensar, decidir e agir”.

Impulsividade sintoma do transtorno TDAH

Conhece alguém impulsivo e inconsequente?

Impulsivo. Inconsequente. É assim que chamamos a pessoa que simplesmente não consegue se controlar. Mesmo que saiba das consequências, ainda assim prejudica a si próprio e aos outros. Pois impulsividade pode ter impactos fortemente negativos sobre o desenvolvimento pessoal, resultados escolares, vida profissional e relacionamentos interpessoais.

Pelas suas consequências diretas, a impulsividade sempre acaba gerando frustração, raiva, rebaixamento da estima e insatisfação geral. Ademais, seu efeito sobre as outras pessoas é grande, o que potencializa seus efeitos prejudiciais.

De fato, as pessoas ao redor dificilmente aceitam tranquilamente atitudes que magoam, prejudicam ou desrespeitam. Não apenas para manter seu próprio autocontrole, se segurar para não estourar, permanecer tranquilo. Mas também para suportar as frustrações de conviver com alguém que age de forma explosiva, aparentemente egoísta e auto-centrada.

Pessoas impulsivas – Característica crítica do TDAH

Impulsividade é sinônimo de dificuldade com autocontrole. Prejuízos, a si mesmo e aos outros, são consequência de não parar para pensar. A saber: a impulsividade é um dos sintomas comuns ao TDAHTranstorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade. Tanto que é também denominado TDAHI, pela referência à impulsividade.

É bastante frequente encontrar pessoas agindo e se arrependendo posteriormente. Pois, mesmo tendo consciência do que é certo ou errado, adequado ou inconveniente, ainda assim agem de forma oposta ao que pensam. Pessoas impulsivas são até mesmo capazes de dizer o qual rumo de ação seria melhor, dada a situação. Entretanto, parece que nada adianta a agir de maneira racional, pensando antes de fazer.

Para piorar, pessoas impulsivas causam problemas a si mesmas e aos outros. Nada ajuda a pensar antes de fazer. Pois com elas vale o ditado: “faz primeiro, pensa depois”.

Origens da impulsividade

Na maior parte dos casos, a impulsividade se origina numa forte reatividade / sensibilidade ao momento presente. Desta forma, impulsos são intensamente sentidos, disparando um gatilho para a ação bastante intenso, sem “parar para pensar”. Só que, quando o pensamento vem, já é tarde demais. Esta dificuldade em “parar para pensar” está na origem das dificuldades com autocontrole.

A impulsividade pode levar a fazer coisas das quais a pessoa depois se arrepende, inclusive falar demais, sem qualquer crítica. Além disso, decisões ruins e planejamento insuficiente também são visíveis. Pessoas impulsivas tendem a buscar saídas e soluções imediatas, justamente pela sensibilidade intensa ao desconforto do momento presente. Pode se manifestar também em tendências compulsivas, como comer ou gastar em excesso.

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Impulsivo desde a Infância

Primeiramente na infância, a falta de autocontrole atrapalha vários aspectos do desenvolvimento. No TDAH, usualmente traços impulsivos e inconsequentes são comumente encontrados no tipo hiperativo-impulsivo.

Socialmente, a hiperatividade e impulsividade prejudicam os relacionamentos com outras crianças. Pois uma criança que não saiba esperar acaba atropelando os outros. É provável que não consiga ouvir instruções, igualmente que não tenha controle sobre suas explosões emocionais. Como resultado, terá problemas ao participar de jogos e brincadeiras bem como conquistar e manter amizades.

Para estas crianças, o relacionamento com adultos é normalmente mais fácil, pois são estes usualmente mais compreensivos (ou permissivos). Já o convívio prejudicado com outras crianças deve ser visto como um sinal de alerta.

Impulsivo até adulto

Uma criança com tais características, caso mantenha estes padrões na adolescência ou idade adulta, poderá perpetuar estas dificuldades. Assim como na infância, um adulto impulsivo pode sofrer muito, com críticas e perdas. Principalmente no trabalho e no casamento, são forte preditores de stress crônico, ansiedade e depressão. Por certo, ainda mais em se tratando de adultos com TDAH do tipo hiperativo-impulsivo.

Inegavelmente, aqueles que convivem com o TDAH / Hiperatividade e Impulsividade são muito exigidos. Mesmo quando sabem que atos de uma criança ou do parceiro não significam oportunismo, “folga”, “defeitos de personalidade” ou falta de educação.

Em síntese, é um imenso desafio conviver e compreender pessoas que parecem colocar suas necessidades em primeiro lugar. Todo o tempo esperando que tudo corra na hora que eles querem, e da maneira como desejam. Justamente por isto é essencial estar alerta para procurar ajuda, antes que qualquer excesso se torne um problema mais grave.

No caso de crianças, orientações aos pais e terapia comportamental infantil trazem ótimos resultados. Em adultos, tratamentos direcionados ao controle da agressividade, melhora da assertividade – afirmação positiva, melhora da comunicação e resolução de problemas tem grande potencial para melhorar a qualidade de vida e os relacionamentos.

Cacilda Amorim – Psicoterapeuta e Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
CRP 06/61710

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