Venvanse (Lisdexanfetamina)

Psicoestimulante da família das anfetaminas

Venvanse é o primeiro medicamento brasileiro à base de anfetamina, liberado para uso no tratamento do TDAH – Déficit de Atenção e Hiperatividade. Ao passo que Ritalina e Concerta são feitos a partir da substância Metilfenidato, um psicoestimulante mais leve, Venvanse é um derivado da anfetamina. Dessa forma, é um remédio bem mais potente. Mais forte em seus efeitos positivos sobre o foco e concentração, igualmente pode trazer maiores efeitos colaterais. 

 

Venvanse: A medicação mais potente para TDAH disponível no Brasil

Venvanse é um psicoestimulante da família das anfetaminas, usado no tratamento do TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade. Aumenta a capacidade de concentração, de sustentar o esforço mental, bloquear as distrações, reduzir a agitação mental e a hiperatividade física.

Em comparação com a Ritalina e Concerta, duas outras medicações também usadas no tratamento do TDAH, o Venvanse tem efeitos bem mais potentes. Isto ocorre devido à sua principal substância ativa – Dimesilato de Lisdexanfetamina. O efeito positivo é bem nítido após pouco tempo de uso. Quem toma relata ser uma droga “poderosa”, pois consegue claramente sentir a diferença entre tomar e não tomar.

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Uma droga mais potente

O Venvanse tem várias características que já mostram, logo à primeira vista, que é uma droga com perfil mais potente. Primeiro, por ser produzida diretamente a partir de um sal de anfetamina. Segundo, pela promessa de alcance do efeito – até 12 horas, segundo a Shire. Finalmente, pela gama mais variada de dosagens, que vai de 30mg até 70mg.

A comprovação mais importante vem dos próprios usuários. Até mesmo em pessoas que se queixavam de efeitos insuficientes com dosagens mais elevadas de metilfenidato (Ritalina ou Concerta) percebem os efeitos do Venvanse.

Tradicionamente, aqui no Brasil as anfetaminas tem sido usadas para tirar a fome e perder peso – na categoria de inibidores do apetite. Contudo, como seus efeitos colaterais e riscos cardiovasculares são graves, inclusive de morte súbita, além de agitação, irritabilidade e insônia, acabaram sendo proibidas pela Anvisa.

Neste cenário, o Venvanse vem sendo frequentemente prescrito como substituto dos inibidores tradicionais do apetite, sem que os pacientes em muitos casos tenham conhecimento pleno de seus efeitos e riscos.

O lançamento do Venvanse

Em comparação com o Brasil, nos Estados Unidos há uma quantidade muito maior de alternativas medicamentosas psicoestimulantes, há muitos anos. Além das diversas anfetaminas e o metilfenidato (que é um psicoestimulante, porém de outra família), a indústria farmacêutica investe bastante na área.

Ao mesmo tempo, o abuso de psicoestimulantes por lá é bem intenso, especialmente entre os mais jovens. As estatísticas são que, dentre os universitários, pelo menos 1/3 já fez uso de psicoestimulante como aditivo cognitivo ou para “dar barato”, usando as medicações para déficit de atenção. Há algumas variantes da anfetamina, como o Adderall (nome comercial), que reconhecidamente tem risco muito elevado de abuso, tolerância e dependência.

Justamente por estes fatores – uma combinação de uma grande mercado consumidor e a necessidade de se criar alternativas mais seguras e ao mesmo tempo eficazes, os gigantes da indústria farmacêutica investem tanto. E o mais recente resultado é o Venvanse, da empresa Shire.

O Venvanse – Dimesilato de Lisdexanfetamina foi lançado nos Estados Unidos há pouco menos de 10 anos. Em 2009, seus primeiros resultados já eram bastante divulgados em congressos e eventos com especialistas americanos.

No Brasil, chegou por volta de 2012. Até cerca de dois anos depois, ainda era pouco conhecido. A partir de 2014, eu comecei a receber no consultório cada vez mais pessoas usando Venvanse. No momento, boa parte dos médicos já escolhe o Venvanse como primeira escolha em medicação.

Psicoestimulantes usados no Brasil

Até a chegada do Venvanse, aproximadamente em 2012, o tratamento medicamentoso do TDAH no Brasil era quase que exclusivamente baseado no Metilfenidato. Sua comercialização era (e ainda é) feita por duas grandes indústrias farmacêuticas, com os nomes comerciais de Ritalina e Concerta.

Tecnicamente, Venvanse, Ritalina e Concerta são membros da mesma família – as drogas psicoestimulantes, que tem efeitos de ativar o funcionamento cerebral.

Apesar do parentesco, as anfetaminas são drogas ainda mais potentes que o Metilfenidato, base da Ritalina e Concerta. As anfetaminas são bem conhecidas por suas capacidades de inibir o apetite e diminuir drasticamente o sono. Assim como o metilfenidato, atuam diretamente sobre o neurotransmissor dopamina. Por isso seus efeitos de maior energia, euforia, redução do sono, apetite e cansaço. Além do que, também ativam o cérebro, melhorando a concentração e reduzindo a hiperatividade.

Porém, como também são nitidamente mais fortes em termos de euforia, diminuição da fome e do sono, sua comercialização sempre foi mais controlada.

Venvanse emagrece mesmo?

Sim, Venvanse causa redução do apetite, portanto perda de peso. Também, por ser uma droga psicoativa, deixa a pessoa mais energizada, o que corresponde a uma aceleração geral do metabolismo, tanto do cérebro quanto do corpo.

Apesar de parecer um ótimo resultado, precisa ser avaliado cuidadosamente. Já que o Venvanse é uma medicação que afeta o cérebro, deveria ser prescrita e acompanhada por médicos desta área – sejam psiquiatras, neuropsiquiatras ou neurologistas. Pois são eles que tem o maior conhecimento sobre efeitos colaterais, eventuais interações com outros medicamentos e cuidados para evitar riscos de dependência e abuso.

Sabe-se que estar acima do peso é um problema muito comum. Mas também que, em grande parte, as pessoas descontam na comida suas ansiedades e frustrações. Igualmente, questões de autoestima, imagem pessoal e inseguranças se manifestam em transtornos alimentares, seja comer excessivo ou anorexia (quando a pessoa deixa de comer, por se achar gorda).

Para uma pessoa com qualquer tipo de problema emocional, é extremamente fácil reagir muito bem a um psicoestimulante. Pois seu efeito imediato é uma sensação de energia, bem-estar, clareza mental, otimismo. Contudo, quando passa o efeito, a “depressão” subsequente e baixa na energia pode aumentar e muito o risco de “querer tomar um pouco a mais” ou não conseguir ficar sem.

Além disso, o Venvanse não é um remédio benigno, que se toma como uma vitamina ou fitoterápico. Justamente por sua capacidade de afetar o sistema cerebral e impactar no funcionamento geral do corpo, pode causar problemas cardíacos graves, por exemplo.

Portanto, caso esteja tomando Venvanse para emagrecer; se foi prescrito por endocrinologista ou “dado” por um amigo, procure um especialista para conversar. Não quer dizer que você não possa tomar. Porém, ao menos, terá uma orientação mais completa e personalizada para suas necessidades.

Advertências da bula do Venvanse

Segundo a bula do Venvanse, fabricado pelo Laboratório Shire, ele deve ser usado como parte de um programa total de tratamento, que pode incluir aconselhamento psicológico ou outras terapias. Assim, o laboratório adverte na bula: “As anfetaminas têm sido alvo de extenso uso abusivo. Tolerância, dependência psicológica extrema e incapacidade social grave ocorreram. Há relatos de pacientes que aumentaram a dose muito acima dos níveis recomendados”.

Ainda na linha das advertências sobre o Venvanse, segue o laboratório: “O abuso deste medicamento pode causar dependência. O uso indevido de anfetaminas pode causar morte súbita e eventos adversos cardiovasculares graves”.

Dosagem e modo de usar

Além de ser uma droga mais potente que a Ritalina e o Concerta, o Venvanse é também vendido em dosagens mais elevadas. Enquanto a dosagem máxima da Ritalina é 40mg e do Concerta é 56mg por comprimido, o Venvanse tem as dosagens de 30mg, 50mg e até 70mg.

Venvanse deve ser usado cedo pela manhã, pois seu efeito terá cerca de 12 horas de duração. Se for tomado mais tarde, a presença da droga no organismo poderá se estender durante a noite. Como resultado, o sono será significativamente prejudicado.

O sistema de liberação do Venvanse se dá em dois picos. Em primeiro lugar, cerca de 45 minutos após a ingestão, sente-se claramente a droga iniciando seu efeito, que permanece estável até a hora do almoço. Há aumento significativo da concentração, hiperfoco, velocidade de execução.

Então, conforme a manhã vai passando e a droga sendo metabolizada, a pessoa pode sentir desânimo, oscilação do humor, perda da energia, cansaço e até mesmo um sentimento de depressão. Porém, logo em seguida, a segunda parcela da droga é liberada – por volta das 14 horas. Apesar de um efeito pouco menos intenso na segunda parte do dia, permanece até o começo da noite. Neste momento, é possível sentir também os mesmos efeitos da metade do dia, devido à percepção da ausência da droga no corpo, como cansaço profundo, esgotamento, irritabilidade e tristeza.

Efeitos colaterais e contra-indicações

Como todos os psicoestimulantes, especialmente as anfetaminas, o Venvanse tem risco potencial para problemas cardiovasculares. A saber, é comum sentir dor de cabeça, taquicardia, boca seca, palpitações, tonturas, especialmente nos primeiros dias. As variações de humor, concentração e energia ao longo do dia, especialmente no meio e ao final do dia, são igualmente comuns.

Esta é a relação dos efeitos colaterais, tanto os mais comuns quanto os mais graves:

  • Dores de cabeça
  • Taquicardia e hipertensão
  • Boca e olhos muito secos
  • Agressividade e irritabilidade
  • Hiperfoco e pensamentos obsessivos
  • Nervosismo e inquietação
  • Insônia
  • Variações de humor
  • Euforia e mania (durante o efeito)
  • Fadiga e depressão (quando passa o efeito)
  • Tonturas e náuseas
  • Perda do apetite e do peso
  • Transpiração excessiva
  • Falta de ar
  • Problemas de pele (erupções)
  • Tremores
  • Episódios psicóticos
  • Mexer e machucar a pele
  • Tiques e Síndrome de Tourette

É indispensável mencionar que todo tipo de anfetamina pode causar alterações psiquiátricas, comportamentais e de personalidade, induzindo uma crise psicótica.

Igualmente, pode aumentar o risco de problemas graves, como infarto, AVC e morte súbita, especialmente em pessoas com histórico familiar ou que já tem algum tipo de problema nesta área. Por este motivo, não deve ser usado por pessoas com doenças do coração, aterosclerose, hipertensão, hipertireoidismo, glaucoma, ansiedade, tensão ou agitação.

Pessoas que têm histórico de abuso de drogas, especialmente cocaína, também não devem usar o Venvanse exceto sobre estrito acompanhamento médico. Por haver sério risco da euforia aumentar a fissura por outras drogas em geral.

Igualmente, não pode ser usado durante a gestação, uma vez que a substância alcançará o feto através da placenta.

Cacilda Amorim
Cacilda Amorim – Psicoterapeuta & Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
Idealizadora dos Programas Minha SuperAÇÃO