Fique atento: Distração, esquecimentos, agitação: Pode ser TDA/H. É um transtorno neurocomportamental, que mexe com o cérebro, mente e comportamento.

TDA/H: Um transtorno para todos

Revista Platero

Entrevista com a Psicoterapeuta Cacilda Amorim, Diretora do IPDA - Instituto Paulista de Déficit de Atenção

Transtorno Neuro-Comportamental: Cérebro, ambiente e comportamento todos juntos

Se você ou seu filho distraem a todo momento, tem dificuldade de organizar o ambiente ao seu redor e os próprios processos de pensamento, além de tendência à agitação ou hiperatividade física e mental e à impulsividade, fique atento: estas são as características mais conhecidas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Trata-se de um transtorno neurocomportamental, que inclui um componente orgânico relacionado a padrões de funcionamento cerebrais e, simultaneamente, é modulado pelos efeitos do ambiente e por processos comportamentais.

“O histórico familiar para o desenvolvimento desse problema é bastante significativo”, destaca a psicóloga Cacilda Amorim, diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção (IPDA).

“Há uma linha de hereditariedade bem estudada e documentada. Paralelamente, estilos de vida familiares funcionam como fatores de proteção ou agravamento. Estas circunstâncias ambientais (externas) interferem diretamente na probabilidade e intensidade da manifestação do transtorno”.

Dificuldade de concentração, esquecimentos, bagunça, adiamentos...

Pode ser TDAH - Déficit de Atenção!

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Sabe-se que a convivência numa família desorganizada, com poucos hábitos e sem rotina, tende a piorar a intensidade de um quadro do TDAH já existente. Já em famílias com hábitos e rotinas mais estruturados, a expressão dos sintomas é frequentemente menos significativa.

Tanto que, quando se tem um caso dessa natureza, parte das ações para revertê-lo, minimizá-lo e tratá-lo envolvem um ajuste e suporte por parte da escola e dos pais, uma melhor estruturação, como rotinas, limites e regras, dentro daquilo que naturalmente é razoável para cada família”, diz Cacilda Amorim.

Não apenas em crianças

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 2 a 5% das pessoas em todo o mundo sofrem de TDAH, um número relativamente alto se comparado a outros transtornos. Por volta dos seis ou sete anos, as maiores exigências do início da vida escolar acabam tornando os prejuízos e dificuldades mais visíveis.

“No geral, as crianças têm capacidade de atenção menor que os adultos”, afirma Cacilda. Crianças têm também uma tendência maior a serem mais agitadas, mais impulsivas, agem sem pensar. Isso é próprio do desenvolvimento. No entanto, quando a discrepância em relação aos outros de idade similar é muito grande, pode ser indicativo de um transtorno.

Isso se percebe em casa, nas famílias que têm outras crianças e na escola. Torna-se mais visível à medida que trazem complicações, como desempenho menor nos estudos ou muita agitação em casa”.

Segundo a psicóloga, é possível encontrar o problema também em adultos. De acordo com as estatísticas, em torno de 50% daqueles que apresentaram essas dificuldades na infância têm as mesmas características na idade adulta.

“O TDAH, entretanto, nunca começa na idade adulta. Se aparecer mais tarde, sem qualquer comprometimento na infância, não atende aos critérios para o diagnóstico desse transtorno”.

Diagnóstico difícil

“Não é fácil diagnosticar o TDAH, pois não há exames médicos disponíveis, além de envolver um julgamento clínico e subjetivo, baseado na experiência do profissional”, constata Cacilda.

“Características como distração, esquecimento, agitação e impulsividade são como febre: podem ter origem numa gripe ou numa doença mais séria. O mesmo sintoma pode ter origens diversas e, dentro desse ponto de vista, discriminar entre tantos aspectos envolve um trabalho complexo.

Conforme o transtorno está sendo mais conhecido e mais divulgado, pessoas com esse sofrimento têm encontrado melhores possibilidades de tratamento e de aceitação. Ao mesmo tempo, aumentaram os riscos de diagnósticos exacerbados e autodiagnósticos, que têm sido muito comentados e criticados”.

A psicóloga enfatiza que não se fala em cura, mas em controlar os sintomas. “Dependendo da intensidade do caso, o tratamento pode incluir o uso de medicação para o substrato orgânico. Há um debate muito intenso sobre a aplicação de remédios psiquiátricos, com posicionamentos radicais tanto a favor como contra.

Revista Platero – Abril / 2011

Publicado em Midia em 19/05/2011  por Instituto IPDA. Última atualização: 08/02/2022

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