Eles não são apenas distraídos ou agitados

Conviver com uma pessoa desorganizada, distraída, falante demais ou muito agitada pode ser difícil e até mesmo irritante

Pode ser mais que simplesmente distração ou agitação

Entrevista com a Psicoterapeuta Cacilda Amorim
TDAH na vida profissional | IPDA na Midia - Jornal Carreira e Sucesso Portal Catho
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Profissionais distraídos ou agitados podem ser interpretados como pouco confiáveis

Conviver com uma pessoa desorganizada, distraída, falante demais ou muito agitada pode ser difícil e até irritante para alguns. Os muito distraídos acabam sendo interpretados como pouco confiáveis e os mais agitados são capazes de tirar o clima de tranquilidade de um lugar. Se você conhece alguma pessoa que preenche essas características, fique atento: ela pode ser portadora de TDAH.

A sigla identifica o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, transtorno neurobiológico de causa genética e que se caracteriza por sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Estudos apontam que cerca de 5% da população em idade escolar e 4% da população adulta sofram com o transtorno.

“O indivíduo com TDAH tem dificuldades para se concentrar em tarefas, permanecer longo tempo realizando alguma atividade, manter o foco atencional. Ao mesmo tempo, pode ser impulsivo, agitado, ter dificuldades para completar tarefas e de pensar antes de dar respostas adequadas”, explica José Neander Abreu, doutor em Neurociências e Comportamento, professor-adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e vice-presidente da ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção.

Apresentar os sintomas não é suficiente, pois eles podem ser identificados em outras doenças, como a depressão, por exemplo. Dentre os fatores considerados num diagnóstico, os sintomas analisados com mais atenção são aqueles que prejudicaram ou têm prejudicado significativamente o desempenho da pessoa na escola ou no trabalho e devem ter sido apresentados ao longo do desenvolvimento do indivíduo.

Os familiares e pessoas próximas a um portador de TDAH têm papel importante, pois podem auxiliar a pessoa a controlar os fatores que podem causar distração, por exemplo.

Outro fator indispensável é ter conhecimento sobre o transtorno. “O esclarecimento sobre o problema e seu tratamento é fundamental. A pessoa sente que não consegue realizar seu potencial, que teria capacidades que nunca se realizam, que sempre foi e será alvo de críticas e acusações. Realmente, é bastante difícil conviver com o TDAH – e vale muito a pena preparar-se para facilitar este convívio”, explica a Psicoterapeuta Cacilda Amorim, diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção.

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Esclarecimento e mudanças no ambiente de trabalho são fundamentais

“Aproveite de forma positiva o que o TDAH tem de bom: a energia do início de um projeto ou atividade, o bom humor e a tendência a fazer tudo divertido, a facilidade em pensar fora do quadrado, de maneira criativa e inédita”, ressalta Cacilda.

TDAH não é sinônimo de fracasso

Mas não é só a vida social que pode sofrer com os sintomas do portador de TDAH. A vida profissional também pode demandar grande esforço e atenção. A pessoa pode reagir mais impulsivamente em situações profissionais ou na relação com seus pares e superiores. Pode ser distraída e postergar tarefas ou se atrasar para compromissos mais frequentemente do que outras pessoas.

Abreu faz uma ressalva: “Ter TDAH não é sinônimo de fracasso, mas implica em cuidados e ações positivas para favorecer a organização, o controle das tarefas e do tempo e comportamentos que ajudem o indivíduo na sua caminhada profissional”.

Outras características do indivíduo podem ser benéficas para o perfil que muitas empresas buscam: por funcionar melhor com atividades em curto prazo, ele se torna um bom “apagador de incêndios” e, de modo geral, é um profissional que funciona melhor sob pressão, pois tem a tendência de postergar e fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Mas em quais áreas os portadores seriam mais bem-sucedidos? Cacilda responde: “A natureza das atividades em algumas áreas é mais compatível e até mesmo exige pessoas com as características positivas do TDAH, como muita energia para “disparadas”, foco mais ampliado, criatividade e inconformismo, facilidade e desejo por mudanças constantes.”

Cacilda Amorim ainda lista algumas tarefas que podem influenciar positivamente a rotina do portador:

Para maior produtividade no trabalho:

  • Tornar a vida mais estruturada – com mais organização, com horários definidos para as atividades, lugares próprios para guardar as coisas
  • Ajudar a pessoa a fracionar as tarefas mais difíceis, não deixar acumular atividades (desde tarefas e contas a pagar até jornais velhos ou lixo a serem recolhidos)
  • Não encher a casa ou a mesa do escritório de coisas desnecessárias
  • Começar uma tarefa de cada vez
Jornal Carreira e Sucesso – Notícias Catho Online – 11/07/2008
Por Naísa Modesto
Cacilda Amorim – Psicoterapeuta e Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
CRP 06/61710

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