Hiperatividade em Bebês e Crianças Pequenas

Qual o momento certo para diagnosticar e tratar?

Há bebês hiperativos, que desde o nascimento são agitados. Crianças que choram muito, mesmo que sem motivo, irritadiças, que não conseguem se acalmar. Independente do esforço que façam suas mães, ainda assim estão sempre irrequietas. Como resultado, tais mães se preocupam – o que estaria acontecendo com meu filho? Existe hiperatividade em bebês?

Hiperatividade em bebês e crianças pequenas
Meu bebê não para quieto… E agora?

Muitas das crianças, até mesmo dos adultos diagnosticados com TDAH já apresentam sintomas desde a infância. De fato, tal relato é bem comum, pois o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção é, por definição, um transtorno neurobiológico que obrigatoriamente se manifesta desde a infância.

Porém, há também inúmeros casos onde bebês hiperativos, crianças super agitadas que, com o tempo, acabam se aquietando.

Para mães e pais que se sentem inseguros, exaustos por não saber como acalmar seu bebê, a busca pelo diagnóstico tem um significado especial. Em primeiro lugar, por trazer uma chance de resolver uma situação que causa muita aflição e preocupação. Em segundo lugar, pela expectativa de que, ao se descobrir a “causa”, poderia se ter certeza que a “culpa” não é da família… especialmente da mãe.

Contudo, em se tratando de bebês, não é fácil nem simples obter um diagnóstico formal, especialmente para transtornos relacionados ao desenvolvimento e maturação, tal qual ocorre com o TDAH. A suspeita de hiperatividade em bebês precisa ser avaliada com muito cuidado.

Hiperatividade em bebês e amadurecimento cerebral

Já que o TDAH é um transtorno de base orgânica – genética (herdada dos pais) ou congênita (decorrente de algum problema durante a gestação ou nascimento), portanto ele deveria estar presente desde o nascimento. Contudo, se é mesmo assim, por que o diagnóstico não pode ser feito antes dos 5 ou 6 anos de idade?

Esta é uma dúvida extremamente frequente em mães e pais. São incontáveis casos que buscam o IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção, pedindo diagnóstico para sua criança de… seis meses, um ano e meio, três anos.

Dá para entender porque mães e pais se mobilizam na procura de um especialista. Entretanto, demorará algum tempo até que possam ter certeza, pelo menos no que diz respeito ao TDAH.

Isto porque, ao nascimento, o cérebro da criança ainda não está “pronto” – elas precisam crescer, amadurecer para se tornarem capazes de falar, andar, pensar, se controlar. Este processo depende de dois fatores essenciais: da aprendizagem e do amadurecimento neurológico, que tem como resultado mudanças orgânicas no cérebro.

Dentre os processos biológicos cerebrais, um dos mais importantes é a “mielinização”. As fibras nervosas são progressivamente recobertas por camadas de gordura, o que potencializa a comunicação entre os neurônios.

Leva tempo para o cérebro amadurecer

Ocorre que algumas áreas do cérebro amadurecem mais cedo, outras mais tarde. Por exemplo, a área de regulação da motricidade amadurece em torno de 10-12 anos. Já o controle de impulso, equilíbrio emocional e tomada de decisão, apenas após os 20 anos de idade.

Isto explica porque os sintomas mais intensos da hiperatividade em bebês e crianças pequenas tendem a desaparecer por volta dos 10-12 anos. Igualmente explica porque aos 21 anos uma pessoa supostamente alcançaria a “idade da razão”.

Entretanto, é também por este motivo que não se pode ter tanta certeza sobre o diagnóstico de hiperatividade infantil. Pelo menos, quanto ao rótulo diagnóstico de TDAH. Como a agitação é muito relacionada ao amadurecimento cerebral, há casos em que o simples passar dos anos resolve o problema.

Neste sentido, um especialista poderá dar uma orientação segura, a respeito da necessidade de tratamento. Uma boa idéia é tentar saídas paliativas, que ajudem a minimizar o caráter perturbador do excesso de agitação, até que o desenvolvimento cerebral avance.

Crianças pequenas são diferentes de crianças mais velhas

Tendo como base o fato do amadurecimento cerebral, não há como esperar que as crianças tenham as mesmas capacidades das crianças mais velhas. Quando há queixas de hiperatividade, agitação ou desatenção em crianças pequenas ou até mesmo bebês, é essencial que qualquer comparação seja feita com crianças de idade similar.

Para ilustrar, é normal que crianças pequenas não consigam prestar atenção a alguma coisa por muito tempo. Isto é especialmente importante de ser mencionado e reiterado, pois são muitas escolinhas de educação infantil exigindo um “currículo” completo, inclusive iniciando a alfabetização antes 5 anos de idade.

Há 20 ou 30 anos atrás, as crianças iniciavam no pré-primário aos 6 anos e passavam este ano inteiro apenas desenvolvendo psicomotricidade, coordenação motora fina e manejo do lápis. Apenas aos 7 anos começavam a conhecer as letras e formar sílabas. E, a esta altura, a maior parte delas já tinha amadurecido suficiente para ser alfabetizada sem maiores dificuldades.

Mesmo crianças da mesma idade podem ser diferentes

Até aqui, foi fácil entender. Entender as crianças dentro daquilo que é compatível com a idade. Não comparar crianças pequenas com mais velhas. Aceitar que tudo vem no tempo certo.

Mas e quando a criança é diferente de outras da mesma idade? Pois este é o ponto principal, que inclusive serve como base para diagnóstico de um transtorno específico.

Ainda assim, há ponderações a serem feitas. Para exemplificar, pense nas pessoas adultas que você conhece. Elas são bastante parecidas em capacidades, independente de quantos anos tenham. Por exemplo, todas falam, andam, escrevem (sim, a maior parte).

Agora pense num grupo de crianças de mesma idade. Apesar da mesma idade, aqui as diferenças entre elas podem ser muito nítidas. Talvez você já tenha observado isso. Algumas crianças são mais avançadas do que outras, da mesma idade, por exemplo falando ou andando bem mais cedo. Outra criança pode ter um atraso de maturação, sem que isto signifique um transtorno. E quanto mais nova a criança, maior a faixa de tolerância daquilo que é considerado aceitável para a idade.

Justamente por isto, em caso de dúvida, siga estes passos. Primeiro, observe crianças de idade similar. Depois, verifique se há fatores externos, do ambiente da criança que possa estar causando nela alguma perturbação. Finalmente, se ainda tiver dúvidas, consulte um especialista.

Hiperatividade e não aceitação de regras e limites

Uma das maiores dúvidas dos pais é: minha criança é hiperativa ou seria apenas falta de limites? Quando se deve iniciar colocando limites para bebês hiperativos? Deixar chorando, esperando a birra passar?

A dúvida é mais intensa com crianças que não obedecem, que tem crises quando contrariadas – diga-se, numa intensidade muito maior que outras da mesma idade. Será apenas emocional e comportamental, ou então um problema mais sério como TDAH e Hiperatividade?

De fato, ausência de limites, baixa tolerância à frustração e vida familiar sem regras estão entre as causas mais comuns do mau comportamento das crianças. Como resultado desta falha em manejo comportamental pela mãe e pai, podem se tornar birrentas, choronas e agitadas, com o intuído de confrontar seus pais quando não conseguem suas vontades. Se sua criança tem estas características, procure ajuda para aprender como lidar melhor com estes conflitos.

Muito cuidado com rótulos e diagnósticos rápidos

Esta recomendação merece ser sempre enfatizada. É muito fácil colocar um rótulo numa criança, seja hiperativa, distraída, opositiva, preguiçosa. O que os pais acabam esquecendo é que este tipo de rótulo acaba sendo assumido pela criança como algo cristalizado, que é parte de seu próprio ser. Abre-se então o caminho para danos graves à autoestima, que num futuro mais distante poderão causar muito sofrimento.

Em resumo, com sua criança pequena ou bebê hiperativo, tente todas as formas possíveis de auxiliar seu desenvolvimento, de modo que ela se consiga se controlar, aprenda a aquietar-se, adquirir equilíbrio e auto-contenção. Para isto, técnicas de manejo comportamental são muito eficazes, especialmente para aquelas crianças de comportamento mais difícil ou que tendem a fazer de tudo para chamar a atenção dos pais.

Cacilda Amorim – Psicoterapeuta & Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
Idealizadora dos Programas Minha SuperAÇÃO
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