Será que meu aluno tem TDAH?

Orientação para professoras e educadoras sobre as principais características do Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade. Como ajudar seu aluno.

Crianças com TDAH e hiperatividade podem ser muito desafiadoras. Esperamos colaborar com esta nobre missão , ajudando nossos jovens clientes e suas famílias, divulgando informações sobre TDAH, hiperatividade e comorbidades e oferecendo orientações de qualidade, que educador@s como você possam usar no dia-a-dia.

Déficit de atenção ajuda para professores
Cacilda Amorim – Psicoterapeuta e Coach Comportamental
Diretora do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção
CRP 06/61710

Alunos com TDAH: Como professores podem ajudar

Para ajudar você a entender melhor seu aluno. Quais características buscar no aluno que não consegue acompanhar a turma. Como e quando pedir ajuda.

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INCONSTÂNCIA – A marca principal do TDAH

O que será que el@ tem? Será TDAH… ou preguiça, ou puro desinteresse? Pois como é possível, tem horas que consegue fazer tudo bem rápido, com perfeição… sem perturbar a turma… e simplesmente em outras horas não consegue? Pode ser TDAH sim… Ou não! Uma criança ou jovem com TDAH ou hiperatividade pode ser muito “comportado” às vezes.

Esta última parte “às vezes” é o maior complicador. Como explicar que alguém é capaz de algo, mas somente algumas vezes? A questão pode não ser apenas mal-criação, falta de interesse ou preguiça – pode ser um problema orgânico, chamado TDAH – Déficit de Atenção e Hiperatividade. Os sintomas do TDAH, especialmente a distração, são fortemente relacionados ao INTERESSE da criança na situação. Quando ela não tem interesse, não consegue fechar o foco, bloquear as distrações e dominar a agitação.

Leve também em conta que, se para você pode ser difícil elaborar a noção da INCONSTÂNCIA DO COMPORTAMENTO, para a família é ainda mais complicado. Mães em especial tendem a enxergar seus filhos exclusivamente com base na experiência própria de contato e podem não aceitar bem as preocupações dos professores.

Quando recebe atenção individualizada ou se encontra em situações novas, como visitas a médicos ou tratamentos psicológicos, a criança com TDAH e/ou hiperatividade pode não apresentar os sintomas dos quais a escola, professores e/ou pais se queixam.

Normalmente os especialistas em TDAH entram em contato com a escola, para buscar informações sobre a criança. Eles sabem que o fato dos sintomas não estarem presentes todo o tempo não significa que a suspeita seja errada ou que não seja necessário procurar tratamento. Em conjunto com a coordenação, prepare um breve relatório sobre suas preocupações com a criança, a ser entregue ao profissional que for avaliá-la.

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Pode haver DÉFICIT DE ATENÇÃO SEM HIPERATIVIDADE – e também em meninas

Normalmente, o que mais incomoda é a hiperatividade, especialmente nas crianças mais novas. Porém, apenas um pouco mais da metade dos casos de TDAH são do tipo hiperativo ou tipo combinado – o restante sofre especialmente com desatenção.

Meninos apresentam TDAH – com ou sem hiperatividade – mais frequentemente que meninas. Mas isto não quer dizer que uma menina não possa ter TDAH, até mesmo do tipo hiperativo-impulsivo. O problema maior está na correta identificação das MENINAS com sintomas predominantes do tipo distraído / desatento. Como podem ser mais quietas, tranquilas e “boazinhas”, com comportamentos menos disruptivos, há maior risco de não terem a atenção e o diagnóstico necessário.

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Deixe de lado idéias pré-concebidas sobre a origem dos problemas

Não tente explicar o comportamento das crianças baseando-se em idéias sobre o que acontece em casa. Que os pais não colocam limites, que não ensinaram regras… deixando a socialização das crianças como tarefa da escola.

O TDAH não é sinônimo de limites ou problemas com a educação das crianças em casa. Os pais também sofrem muito com crianças e jovens com TDAH, especialmente quando há hiperatividade. Contudo, caso seja mesmo TDAH, é extremamente comum que a criança TAMBÉM tenha problemas com regras e limites.

Mesmo se há apenas uma suspeita, trate antecipadamente os pais como potenciais parceiros, pois múltiplas batalhas podem vir logo a seguir. Pais e professores tem muito a dar, uns aos outros. Uma boa relação de parceria é o melhor para a criança e ajuda a minimizar a carga, para ambos os lados.

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Antes de falar com os pais sobre TDAH, converse com a coordenadora ou psicóloga da escola

Muito cuidado com suas suspeitas. É muito fácil colocar um rótulo numa criança e incomparavelmente mais difícil de reverter. A primeira ação a tomar é se informar melhor sobre o assunto.

Conhecer o que é TDAH e sobre outros tipos de problemas que podem levar a baixo desempenho escolar e comportamentos inadequados / disruptivos, especialmente distração e hiperatividade. Aqui no site do IPDA há muitos artigos e recursos gratuitos que irão te ajudar.

Marque uma conversa com a coordenadora ou com a psicóloga da escola. Faça uma lista dos comportamentos que considera mais intensos, que de fato prejudicam a criança. Não se limite à hiperatividade ou distração. Sempre levando em conta as DISCREPÂNCIAS entre ela e os coleguinhas.

Cuidado em não se colocar na posição de “fazer um diagnóstico”, apenas relate o que você tem observado.

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Convide os pais a observarem a criança na escola

Pode ser necessário dar aos pais a oportunidade de verificar as diferenças entre a forma de agir de seu filho e as outras crianças. Irá ajudá-los a enxergar melhor a situação e também sensibilizá-los para o problema – especialmente se a criança for filho único, neste caso os pais não tem base para comparação.

Vários pais – especialmente mães – levam um susto quando a escola levanta suspeitas de um transtorno, especialmente quando a criança age diferente em casa. O ideal é que os pais possam ver a criança durante uma aula e em interação com os colegas.

Caso não seja possível, faça registros (anotações) bem detalhados, apenas descritivos. Assim ganhará a confiança da família, mostrando sua preocupação e disposição para ajudar.

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Pedir ajuda, SIM. Sugerir um diagnóstico, NUNCA. Falar sobre tratamentos e remédios, JAMAIS

Toda suspeita é válida. Talvez você seja a pessoa que passa mais horas por dia com a criança. Portanto sua é extremamente preciosa e merece ser levada em conta.

Prepare-se para falar com os pais. Marque um horário em local apropriado, em companhia da coordenadora ou de alguém responsável pela área pedagógica ou psicológica. O objetivo é sensibilizar os pais para a importância de procurar uma avaliação especializada. Sim, peça ajuda.

Atenção! NUNCA levante a hipótese de um transtorno. Não diga nomes, sejam quais forem. Preserve a si e à criança, independente de quanta certeza você tenha. Os pais precisam construir seu convencimento sobre eventuais problemas da sua criança e isto vai acontecer, no tempo certo. Evite o risco dos pais se sentirem agredidos ou, pior, acharem que você não tem competência para dizer o que está colocando.

E, mesmo que haja espaço para falar sobre transtornos específicos – algumas famílias são mais abertas e esclarecidas, JAMAIS toque no assunto de tratamentos medicamentosos.

Uso de remédios psiquiátricos com crianças é um tópico muito polêmico, que pode “azedar” qualquer vínculo entre a família e a escola. Esqueça “dar exemplos” sobre algum outro aluno que tenha sido diagnosticado e tratado da maneira X ou Y.

Caso a criança tenha realmente um transtorno, os tipos mais adequados de tratamento serão levados em conta pelos especialistas responsáveis pelo tratamento, que irão conversar abertamente com os pais.

É tarefa dos especialistas e profissionais de saúde conversarem com os pais sobre os melhores tratamentos e serão eles quem escolherão o caminho para a criança.

Algumas famílias de fato recusam medicação, mesmo quando é indicada. Neste caso, é importante que a escola respeite e mantenha o trabalho conjunto, sempre focando no melhor paa o desenvolvimento da criança.

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