Instituto Paulista de
Déficit de Atenção
Medicação para TDAH

Ritalina, Concerta e Venvanse


Psicoestimulantes são a categoria de medicamentos mais comuns no tratamento do TDAH. São os remédios mais utilizados para Déficit de Atenção e Hiperatividade no Brasil. Ritalina, Concerta e Venvanse são seus nomes comerciais. Apesar de, por muitos anos, terem sido a primeira linha de tratamento para TDAH, ainda há muito desconhecimento, preconceitos e idéias errôneas sobre o uso de medicação psiquiátrica, especialmente em função de sua classificação como "tarjas pretas".

Atualmente, tem se questionado muito o excesso de prescrições, especialmente para crianças, bem como as limitações de seu uso - os efeitos apenas de curto prazo, além do risco de efeitos colaterais e a necessidade de manter o consumo por tempo indeterminado, que para muitos significa dependência da medicação. A idéia que o uso de medicação é a "principal" linha de tratamento e que todas as outras são apenas coadjuvantes está cada vez mais enfraquecida, diante dos resultados insuficientes de tratamentos que seguem linhas exclusivamente medicamentosas.


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Efeitos dos Psicoestimulantes

O metilfenidato é a droga mais antiga empregada para déficit de atenção e hiperatividade. É comercializada comercialmente como Ritalina ou Concerta (por empresas diferentes). Há alguns anos foi lançado no Brasil o Venvanse, nome comercial para a lisdexanfetamina, droga da família das anfetaminas. Estes são os únicos medicamentos psicoestimulantes disponíveis no Brasil.

Os psicoestimulantes tem por função potencializar o funcionamento cerebral, atuando sobre o neurotransmissor dopamina; com isto, ocorre a redução dos sintomas especialmente da distração e da hiperatividade. Justamente por sua interferência no metabolismo da dopamina, que é a substância orgânica que envolvida no controle da motivação, níveis de energia e do prazer, os psicoestimulantes compõem uma categoria de drogas muito controladas.


Por potencializar o funcionamento do cérebro, os psicoestimulantes conseguem aumentar a concentração, a memória operacional e a velocidade mental; também a capacidade de sustentar o esforço mental por tempo mais longo; iniciar e realizar atividades até o final. Também tem efeito sobre a hiperatividade, por estimular as áreas cerebrais que comandam a inibição da motricidade (melhoram os freios comportamentais). Os pensamentos se tornam mais claros, pela melhor organização das idéias e redução das distrações.



Psicoestimulantes são drogas muito potentes e aliados preciosos do tratamento do TDAH. Para seu melhor aproveitamento, é indispensável conhecer tudo sobre eles - o que eles podem trazer de positivo; também o que não se deve esperar. Medicação deve sempre ser acompanhada por terapias com potencial de efeitos de longo prazo.


A prescrição de psicoestimulantes demanda cuidado e acompanhamento estrito


Psicoestimulantes não são apenas "tarja-preta", que demandam receita para serem comprados. Exigem uma receita ainda mais restrita (receituário amarela), da mesma categoria usada, por exemplo, para a prescrição de opiáceos, como derivados de morfina. São medicações que trazem riscos de efeitos colaterais sérios, bem como risco de desenvolver dependência.



Alguns especialistas médicos da área do TDAH, defendem que os psicoestimulantes são drogas seguras, o que é apenas parcialmente verdadeiro. O problema é apresentar a droga como algo trivial, até mesmo banal. O argumento é tratar-se de uma droga muito conhecida, que vem sendo prescrita desde pelo menos 50 anos atrás.

Isto é bem verdade, contudo é uma droga segura apenas se prescrita com extremo cuidado e acompanhada de perto pelo médico responsável. O que eu tenho acompanhado, na prática, conforme relatado pelos meus próprios pacientes, é que os psicoestimulantes são por diversas vezes prescritos em consultas extremamente breves, desde a primeira vez que encontram o paciente, sem exames ou questionamentos mais cuidadosos.

Certamente, minha experiência é limitada ao que meus pacientes compartilham. Ainda assim, apresentam um cenário que deve ser encarado com cautela, no sentido de nos precavermos a respeito. O monitoramento do tratamento com um medicamento desta natureza demanda acompanhamento estrito por parte do médico responsável.


Muito me preocupa um paciente receber receitas antecipadas, com datas em branco ou para meses futuros ou mesmo a prática de se deixar receitas prontas, apenas para retirar, com a secretária. Este padrão me parece incompatível com uma ação cuidadosa e ao mesmo tempo respeitosa com o paciente, além de aumentar muito os riscos decorrentes do não-acompanhamento.



Tipos de Formulação dos Psicoestimulantes - Duração do Efeito


Os psicoestimulantes são comercializados em dois tipos de formulação: de ação imediata ou de longo alcance (LA). A diferença entre ambos está no mecanismo de liberação da droga a partir da cápsula, o que afeta diretamente o processo de absorção pelo organismo. Com a ação imediata, a droga entra na corrente sanguínea quase que imediatamente - em cerca de 15 minutos já se percebe seu efeito; é rapidamente metabolizado e "sai" do organismo. As formulações de longo alcance tem sempre dois pontos de liberação, o que permite usar apenas uma cápsula por dia e um efeito mais duradouro.

A Ritalina de 10mg é ainda a droga mais vendida, podendo funcionar bem como alternativa de curto prazo - seus efeitos normalmente aparecem bem rapidamente e duram por bem pouco tempo - entre 3 a 4 horas, o que torna necessário tomar o remédio duas ou mais vezes por dia. Há também algumas outras formulações de metilfenidato com liberação lenta (de longa duração) como Ritalina LA ou Concerta, que podem durar entre 6 e 8 horas.

Com o Venvanse, que também é uma formulação de longa duração, se consegue um efeito mais prolongado - até 12 horas. Isto se deve especialmente à categoria da droga, da família das anfetaminas, que é mais potente que o metilfenidato.


Qualquer psicoestimulante tem duração limitada. Ou seja, após seu período de cobertura, os problemas retornam imediatamente. Isto torna a percepção da "dependência" do remédio muito clara para o usuário, trazendo para muitos uma sensação de mal-estar. Embora se argumente que o uso de medicação permanentemente é similar a tratar uma doença crônica ou usar óculos, grande parte dos pacientes não encara esta questão com tamanha tranquilidade.



Medicação conseguiria curar o TDAH?


Sob a perspectiva de um tipo de tratamento que, por definição, tem efeitos relevantes porém claramente limitados, a resposta é sim. Tratamentos medicamentosos, a princípio, são para sempre. Seus resultados desaparecem imediatamente em poucas horas, exigindo uma nova dose para retomar os benefícios. Estas drogas não levam a melhoras definitivas dos sintomas, apenas alívio por algumas horas, durante sua ação.


Isto também significa que não se faz um tratamento por prazo determinado com uso de psicoestimulantes - por exemplo, tomar por alguns meses. O paciente deve ser esclarecido sobre esta questão. Diferente de usar um antibiótico, que o próprio médico prescreve por um tempo determinado, o psicoestimulante não irá curar o TDAH e, em seguida, deixar de ser consumido. Justamente por isto um bom plano de tratamento não pode se limitar, exclusivamente, ao uso de medicação. O TDAH não tem cura definitiva, o que torna indispensável procurar por saídas de longo prazo, que permitam o manejo dos sintomas de maneira mais sustentada e não-invasiva.



A medicação tem o potencial de trazer ganhos de curto prazo, bem como abrir janelas de oportunidade para que outras terapias não-medicamentosas, estas sim com potencial de resultados de longo prazo, possam ser conduzidas de forma mais tranquila.


Para saber mais

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Distração, esquecimentos, agitação, desorganização, baixo desempenho... não precisam ser para sempre.

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