Instituto Paulista de
Déficit de Atenção

Déficit de Atenção e falhas da memória


Memória é um assunto que interessa a todos - lembrar bem, especialmente detalhes, faz toda a diferença, seja nos estudos ou na vida pessoal. Esquecimentos e problemas de memória geram muitas dúvidas quando se pensa em TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção. Isto porque o processo de formação de memórias, que depende muito do bom funcionamento da atenção, da consolidação das memórias e da recuperação - o ato de "lembrar". Daí tantas pessoas com problemas de atenção acabarem sofrendo com memória "fraca".

A formação de memórias duradouras se dá em duas etapas. A primeira depende da ativação da memória operacional - memória de curto prazo, que é bastante volátil e transitória. Esta memória de curto prazo depende diretamente da concentração - fechar o foco da atenção sobre o estímulo, aquilo que será posteriormente lembrado. A segunda etapa envolve a passagem da memória de curto prazo para memórias de longo prazo e é menos dependente da atenção.


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Formação e recuperação das memórias


Quando se não consegue prestar atenção ao que está acontecendo, dificilmente isto se consolidará numa nova memória. Algumas pessoas supõem que "não conseguir lembrar" é um problema de recuperar uma memória, algo que estaria "na cabeça". Pode não ser assim. Se não houve atenção, a memória sequer chegou a ser formada. Portanto, não há o que lembrar.


Lembrar de algo significa conseguir recuperar uma memória consolidada. Para isto, antes de tudo, é preciso ter algo já consolidado, que possa ser recuperado. Por exemplo, o conhecimento de uma data de nascimento de alguém. Se você não souber, não se trata de um problema de memória - será simplesmente falta de conhecimento.

Por outro lado, não tiver prestado atenção no momento em que alguém te disse a data, também não haverá recuperação. A memória não terá sido formada. É como se o fato não tivesse ocorrido para a pessoa. Assim como a falta de conhecimento, não haverá o que lembrar.

É possível também ter existido atenção ao estímulo, ao momento da apresentação da informação. Mas, ainda assim, haver dificuldade de recuperação. É uma queixa comum referente ao estudo, tanto na escola regular, para concursos ou temas profissionais.


As três etapas da Memória


A consolidação de longo prazo depende de três fatores. Primeiro, de suficiente atenção concentrada e escopo de memória de curto prazo, como já foi destacado. Segundo, de boa consolidação destas memórias. Terceiro, de estratégias de recuperação.

A fase de consolidação corresponde à passagem da lembrança de curto prazo para algo que poderá ser relembrado num futuro distante - por exemplo, estudar hoje um conteúdo de direito administrativo e relembrar no dia da prova do concurso. A consolidação depende de fatores orgânicos, cerebrais e também de estratégias comportamentais.


Para a consolidação, é indispensável a participação de uma área cerebral denominada hipocampo. Há diversos processos fisiológicos que ocorrem em grande parte durante o sono, que consistem em ativação e fortalecimento de redes neurais, sendo estas a base estrutural das lembranças.

A consolidação das memórias depende da quantidade de repetições. No estudo, as revisões sistemáticas dos conteúdos tem o papel de fortalecer cada vez mais as conexões neurais. Sem revisões, as conexões até começam a se formar, porém como são ainda muito frágeis, elas acabam por desaparecer. É como aquele conteúdo não tivesse sido estudado. Por isto a maneira como se estuda é tão importante - o esforço dedicado pode dar mais ou menos resultado. Tudo depende da estratégia empregada.

A recuperação das memórias (conseguir lembrar) é a fase final e também a de maior interesse. Afinal, ela sintetiza o que chamamos de capacidade de lembrar. A recuperação somente é possível se houver memórias bem consolidadas - ou seja, se a captação e consolidação foram suficientes. Ela é mais fácil, mais fluente, tanto mais se conhece sobre um assunto. Isto porque as redes neurais que se formam na etapa de consolidação são altamente interligadas, o que facilita muito a recuperação.


Quem conhece muito sobre um assunto parece lembrar muito mais fácil. Não é apenas um efeito de "ter mais memória". Como os componentes do conteúdo são todos interligados, é como se houvessem muitos caminhos para chegar a um mesmo local. Com isto, a recuperação é facilitada: é possível alcançar mais rapidamente e com bem menos esforço aquilo que se quer lembrar.


Esquecimento dos conteúdos de estudo - Concursos públicos e pós-graduação


Para o cérebro, é sempre mais fácil aprender atividades práticas, coisas que possam ser executadas, que envolvam atos físicos (como montar equipamentos, cozinhar ou dirigir). Infelizmente, para o cérebro é comparativamente mais desafiador formar memórias envolvendo conteúdos linguísticos - memórias que dependam fortemente de palavras, de conteúdos abstratos e detalhes muito específicos - exatamente o tipo de conteúdo exigido de quem estuda para concurso ou precisa fazer uma pós-graduação para avançar na carreira.


Estas informações linguísticas exigem maior atenção e capacidade de memória de curto prazo, além de maior número de repetições até que possam ser consolidadas. Além disto, outros fatores devem ser levados em conta por quem estuda para concursos ou faz uma pós-graduação.

Este tipo de estudo demanda muita leitura, uma atividade muito custosa para a maior parte das pessoas. Para conseguir uma leitura eficaz, é preciso ter a tranquilidade mental para focar a atenção por um bom tempo, ter conhecimento suficiente do vocabulário empregado e pelo menos algum grau de conhecimento sobre o assunto que se estuda.

A quantidade de conhecimento anterior é um ponto crítico, pois interfere muito na facilidade da consolidação e recuperação. Quando se está iniciando um certo tema, falta uma base que possa auxiliar, dando sentido e facilitando a compreensão. Uma dica que você está nesta situação é quando "não tem idéia do que se trata", ou quando parece que entende porém logo em seguida tudo simplesmente desaparece da memória.


Cansaço, stress, poucas horas de sono são ladrões de memórias. Estudar é sempre mais simples quando somos jovens, quando fazemos apenas isto, quando não temos outras preocupações. Bem diferente de quem trabalha o dia todo e precisa cavar momentos esparsos no meio do dia para "uma estudadinha", estudar à noite ou aos finais de semana, em meio a tantas outras coisas da vida que também precisam ser feitas.


TDAH, comorbidades e os problemas de memória

Há vários outros fatores que interferem com a formação e consolidação de memórias além do TDAH - Déficit de Atenção. Ansiedade, depressão e stress crônico tem igualmente grande potencial para prejudicar as memórias e, por tabela, um estudo satisfatório.

O TDAH prejudica a concentração, assim como a ansiedade. Além disto, a ansiedade intensifica a angústia e os medos, com pensamentos negativistas que facilmente capturam o foco da atenção. A depressão afeta mais a fase de consolidação, tornando pouco produtivo o esforço das horas de estudo. O stress crônico deixa a pessoa mais irritadiça, cansada e impulsiva, além de diminuir a capacidade de foco e de consolidação.



O que fazer para ter uma memória melhor?

Se você tem percebido problemas importantes em memória ou concentração e desconfia que pode ter um problema mais sério, procure um especialista. Quando se sofre com um transtorno, dificilmente se consegue superar apenas por conta própria.

Para além de tratamentos específicos, a boa notícia é que o cérebro é extremamente sensível e responde muito bem a treinamentos e mudanças de estilo de vida. Pensar na nutrição cerebral como essencial para a excelência é o primeiro passo. Há muitos suplementos e vitaminas que podem complementar a mudança na alimentação. Para o cérebro render melhor, ele precisa de combustível da melhor qualidade.


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Se seu objetivo é passar em concurso, precisa também melhorar sua maneira de estudar. Não importa tanto a quantidade de horas de estudo, elas podem facilmente se transformar em esforço sem resultados, se você não usar as estratégias mais eficazes para tirar o melhor do seu cérebro.


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