Instituto Paulista de
Déficit de Atenção

O diagnóstico do TDAH exige cuidados especiais


O desafio central ao diagnóstico do TDAH decorre do tipo de sintomas que o caracteriza. As queixas de distração, agitação e impulsividade são, por definição, sintomas inespecíficos. Isto quer dizer: são sintomas encontrados em diversos outros transtornos - estrito senso, quase todos os problemas psíquicos prejudicam a capacidade de concentrar, o foco e o auto-controle. Isto leva à obrigatoriedade em levantar diversas hipóteses diagnósticas - quais as possíveis causas para os sintomas que o paciente relata? Pode ser TDAH? Ou alguma outra coisa, com sintomas similares?

Além da sobreposição de sintomas, outro desafio do TDAH é a alta probabilidade de comorbidades - a presença de mais de um transtorno ao mesmo tempo. É essencial conduzir o diagnóstico considerando também, para além das hipóteses de sobreposição de sintomas, a própria possibilidade que parte dos sintomas seja decorrente de uma combinação de transtornos. Este é um aspecto muito relevante para a definição do plano de tratamento, do contrário demandas legítimas podem ser deixadas de lado.


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O processo de Avaliação Clínica


O Diagnóstico Diferencial do TDAH - Déficit de Atenção começa com uma extensa análise clínica do caso por um especialista em TDAH e comorbidades, quando são investigadas as características cognitivas (intelectuais), comportamentais e emocionais; histórico familiar, desenvolvimento infantil, vida escolar / profissional; relacionamentos, dificuldades e expectativas mencionadas pelo paciente, que possam estar relacionadas a distração, hiperatividade /agitação e impulsividade, dentre outros sintomas.


Esta análise clínica é feita numa consulta onde o especialista faz uma várias perguntas e observações. Como se trata de uma investigação extensa, uma boa consulta leva tempo - pelo menos uma hora de duração. Muitos especialistas solicitam mais de uma consulta, para garantir a qualidade da avaliação. Este aprofundamento é indispensável para evitar diagnósticos errôneos e precipitados, que tem sido cada vez mais frequentes em consultas médicas que, muitas vezes, duram menos de 15 minutos.



O primeiro objetivo da avaliação clínica é levantar hipóteses sobre as possíveis origens das queixas apresentadas, levando em conta que um mesmo sintoma (como distração, esquecimento ou agitação) podem ser causados por múltiplos fatores, eventualmente em combinação. Há vários outros transtornos que podem mimetizar os sintomas do TDAH ou até mesmo ocorrerem simultaneamente a ele - o que é chamado de comorbidade. Além disso, há mais de um tipo de TDAH.


Psicodiagnóostico, neuropsicológico e exames médicos complementares


A partir desta análise preliminar e das características do caso, o especialista pode solicitar outros testes e exames, desde exames médicos - clínicos e/ou neurológicos - ou outros exames psicodiagnósticos, como avaliação cognitiva, neuropsicológica, comportamental e emocional. Uma avaliação mais detalhada se faz especialmente necessária quando há suspeita de outros transtornos, comorbidades ou fortes componentes comportamentais, emocionais ou cognitivos (intelectuais) envolvidos.


Não há nenhum exame ou teste único e específico para TDAH, como por exemplo exames de sangue para doenças físicas. Mesmo exames médicos (como eletroencefalograma ou ressonância magnética) ou neuropsicológicos são apenas complementares ao diagnóstico. Os exames clínicos - psicológicos, médicos ou até mesmo de outras áreas da saúde - são uma colaboração preciosa, contudo sempre subordinados ao julgamento clínico do especialista. Servem para aprofundar o conhecimento do caso, ajudar a decidir qual o melhor tratamento ou excluir outras hipóteses diagnósticas.



Quem profissional faz o diagnóstico diferencial de TDAH e comorbidades?


Um diagnóstico completo só pode ser realizado por um especialista, pois apenas com sua experiência poderá julgar se e quais sintomas podem ser associados ao TDAH ou a outros problemas.

Se houver suspeita de TDAH, procure um profissional especializado para uma avaliação completa. Somente um especialista poderá excluir outros problemas que podem mimetizar os sintomas de TDAH, como falta de atenção, hiperatividade física ou mental, impulsividade, falta de auto-controle, problemas com memória, desorganização, adiamentos crônicos, etc.


Muito se questiona sobre qual profissional pode fazer o diagnóstico diferencial. Alguns médicos, inclusive profissionais respeitáveis, causam confusão entre os pacientes, na tentativa de chamar para si esta exclusividade, o que na verdade é apenas uma tentativa de demarcar um território profissional. Não há nenhuma lógica, razão técnica ou legal, que justifique limitar o diagnóstico a médicos, exceto favorecer tratamentos baseados em alternativas medicamentosas.



O problema do auto-diagnóstico do TDAH


O auto-diagnóstico - quando uma pessoa se identifica fortemente com um problema, por exemplo com o TDAH - tem se tornado cada vez mais comum, especialmente diante da grande quantidade informações disponíveis pela Internet. Muitas pessoas conseguiram encontrar soluções para seus problemas quando despertaram para um assunto do qual nunca antes tinham ouvido falar. Mas, ao procurar um especialista, assuma uma postura de abertura e cooperação. É importante auxiliar a investigação ampla e aprofundada o caso, sem forçá-lo na direção de uma ou outra hipótese, o que pode atrasar muito seu processo.



Outro ponto que eu sempre recomendo é: evite recontar sua estória pessoal a partir de uma lista de sintomas, ou a partir de um teste feito pela internet. Se você procurou um profissional que de fato entende do que faz, deixe que ele conduza a consulta, fazendo as perguntas clínicas na melhor ordem de acordo com as necessidades do seu caso. É sempre importante lembrar que um diagnóstico não pode ser exclusivamente baseado em listas de sintomas.


Com os tratamentos adequados, o TDAH pode ser tratado e bem gerenciado. Isto tem potencial para trazer uma grande mudança, alívio e mais qualidade de vida, tanto na escola, trabalho e vida familiar. Todo esforço direcionado à procura de um bom diagnóstico valerá a pena. É o primeiro passo neste caminho.


Autor


Para saber mais sobre Avaliação e Diagnóstico Diferencial para TDAH e Comorbidades


Distração, esquecimentos, agitação, desorganização, baixo desempenho... não precisam ser para sempre.

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