Instituto Paulista de
Déficit de Atenção

Folha de São Paulo / Caderno Empregos - Entrevista com a Psicoterapeuta Cacilda Amorim


TDAH Adulto e Vida Profissional Especialistas estimam que a doença, chamada de déficit de atenção e hiperatividade, atinja 4% dos adultos. O jornalista Paulo Bastos (nome fictício), 56, sempre se considerou um profissional dinâmico. Acumulava inúmeras tarefas e chegava a trabalhar até 12 horas por dia. "Tinha mania de telefonar, beber água e abrir várias frentes de trabalho ao mesmo tempo", conta. Há um ano, porém, descobriu, sem querer, que isso era uma doença. Era o DDA (distúrbio de déficit de atenção), causado pelo mau funcionamento do lobo pré-frontal do cérebro, região responsável pelo foco de atenção.


Não há dano estrutural [no cérebro], mas sim, funcional", esclarece a Psicoterapeuta Cacilda Amorim, do IPDA (Instituto Paulista de Déficit de Atenção). Estudos indicam que o distúrbio afeta cerca de 4% dos adultos. Também chamada de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade -TDAH-, a doença manifesta-se basicamente por meio de sinais de desatenção, hiperatividade e impulsividade.



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"Há um comprometimento de funções cerebrais executivas, que podem ser comparadas ao maestro de uma orquestra ou à torre de um aeroporto", explica o psiquiatra Sérgio Bourbon, diretor da ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção). Ou seja: é a perda do controle voluntário sobre certas situações do dia-a-dia.
"Nos adultos, a desatenção é mais frequente", afirma Bourbon. No ambiente de trabalho, os problemas mais comuns são desorganização, falta de gerenciamento de tempo, adiamento de tarefas, falta de foco e até hiperfoco (foco excessivo numa só situação).


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O portador fica com baixa auto-estima e se cobra demais. Isso pode trazer dificuldades para sua inserção no mercado ou estabilidade no emprego", diz Cacilda Amorim. Foi o caso da advogada Lúcia (nome fictício), 30, que descobriu a doença quando foi demitida pelo chefe por ser "muito desatenta". "Ele elogiou meu trabalho, mas disse para eu procurar um médico por ser distraída demais."



Desconhecimento

Ainda não há regras claras para diagnosticar o DDA em adultos. "Há dez anos, não se acreditava que o distúrbio pudesse ser manifestado nos mais velhos", explica Amorim. Segundo especialistas, os portadores enfrentam dificuldades desde a infância, fase em que a doença começa a surgir.

"Basicamente, os profissionais foram crianças distraídas, que não conseguiam concentrar-se na aula e, no caso das hiperativas, não conseguiam parar quietas", explica o psiquiatra Mário Louzã Neto, coordenador do Projeto de Déficit de Atenção e Hiperatividade no Adulto (Prodath), do Hospital das Clínicas de São Paulo.

No trabalho, além de parecer desatento, é comum o adulto agir sem pensar. "Ele toma atitudes intempestivas e pode romper com o emprego numa discussão", relata.

Jornal Folha de São Paulo - Caderno Empregos - 06/11/2005
Débora Didonê - Colaboração para a Folha