Instituto Paulista de
Déficit de Atenção
MMinha filha sempre teve muita dificuldade com ouvir um não, automaticamente reagia de forma agressiva. Não era física, era principalmente verbal. Também sempre foi muito impulsiva e teimosa, com muita intensidade emocional, desde bebê. Sempre quis tudo muito rápido, não sabia esperar nem alguns minutos, tudo tinha de ser para ontem.

Por isto eu e o pai fomos procurar ajuda, estava se tornando uma bola de neve. Ninguém conseguia mais dialogar com ela, se armava de tal forma para impor o que queria. Tentava conseguir por caminhos alternativos e quando não adiantava, vinha gritando. A gente também reagia com agressão, mesmo sabendo que seria ruim para ela. Nós, pais estávamos no limite, pressão e exaustão muito grandes.

Também era muito influenciável pelas amigas, no modo de pensar, agir, queria consumir muito além das nossas possibilidades e isto aumentou ainda mais os conflitos. Outra coisa, sabia manipular os pais (são separados), jogando um contra o outro a depender de seus interesses.

Quando passou a formar corpo, começaou a mostrar sensualidade para chamar a atenção, não que fosse por mal. Acho que era para ser aceita, querida, mas eu me preocupava dela ficar vulgarizada. Nunca deixei vestir como queria, mas como ela não aceitava limites, saia de casa com roupa e depois trocava. Vinham pessoas e me diziam que ela estava em tal lugar, praticamente nua.

Só aos poucos as coisas foram mudando. Devagar eu comecei a ver exemplos no dia-a-dia dela, que escutava mais, prestava mais atenção.

Na escola, fiquei feliz dela ter passado, as notas melhoraram muito, antes eram péssimas. Ela fez esforçao, coisa que nunca faria, nem pensar... fez pesquisa e participou de trabalhos, antes era sanguessuga... entrava no grupo e a turma punha o nome! Na semana cultural da escola, fez uma maquete e comandou a apresentação para os visitantes!


Em casa também está melhorando. Antes não conseguia lavar a louça até o final. Lavava uma colher e já dispersava. Agora já consegue começar e terminar, está mais rápida. O mais importante: fazer sem discussão e sem briga - tá bom, mãe; é hora de fazer isto - tá bom, mãe. Está aprendendo que não é só na hora dela, também tem a hora das outras pessoas.



Já consegue fazer acordos, já conquistou espaçao muito bom. A terapeuta foi muito importante em fazer o meio de campo, especialmente no começao. Sempre combinamos: "você faz a sua parte, eu a minha" e ela passou a buscar acordos, não o conflito.

Sempre foi muito difícil para ela pôr na cabeça que existe uma desigualdade entre nós, quer ela queira ou não. Eu sempre digo: hoje eu estou no lugar da mãe e você no lugar da filha. Ela não concebia isto, de jeito nenhum. Hoje ela já consegue entender e aceitar.

Vejo que o ponto que mais dificultava era a teimosia. Quando quer algo, não mede esforçaos, não pensa, não pondera, envolve pessoas, não pensa nas consequências mesmo que sejam muito ruins. Já melhorou bastante, mas ainda continua forte, espero que melhore ainda mais.

*** R.S, 19 anos, estudante, fez tratamento com Terapia Comportamental-Cognitiva para TDAH e forte agressividade/impulsividade, associado a Neurofeedback. Depoimento de S.M.S, mãe de R.S, baseado em transcrição da sessão de encerramento do tratamento (sessão 42)


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